
A escritora e jornalista Gabriela Dal Bosco Sitta acabou de ver sair do prelo o ensaio Mãe, primeira pessoa (Trote, 2026), no qual investiga a experiência ambivalente da maternidade a partir das memórias de escritoras contemporâneas. O lançamento terá uma conversa entre a autora e o pesquisador Rafael Guimarães, professor da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), neste sábado, dia 22 de agosto, às 15h, na Livraria Paralelo 30 (Rua Vieira de Castro, 48 – Porto Alegre / RS).
Durante séculos, a história da mãe foi contada pelos outros. Da deusa Deméter às heroínas de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), a maternidade foi frequentemente enquadrada por representações românticas, associadas à abnegação, ao sacrifício e à ideia de uma mãe ideal. Nas últimas décadas, porém, escritoras e narradoras passaram a ocupar cada vez mais a primeira pessoa para registrar as contradições e os conflitos da experiência materna.
É nesse território que Gabriela constrói o seu ensaio, colocando em diálogo a teoria literária, a psicanálise e as obras das escritoras Jane Lazarre (1943-2025) e Rachel Cusk. Ao se tornarem mães, ambas registraram em seus livros de memórias dúvidas, conflitos e fissuras que atravessam a maternidade, afastando-se da representação da mãe como figura imaculada.
A partir da leitura comparada das duas autoras, Gabriela discute a posição paradoxal da maternidade na contemporaneidade e as narrativas construídas em torno dela. “Uma mulher que tem filhos não se reduz à função materna, e a maternidade é uma relação ambivalente como qualquer outra”, escreve Julia Dantas, autora de A mulher de dois esqueletos (Dublinense, 2024), no texto da quarta capa.
Para Julia, o livro recupera vozes do passado e as aproxima de obras contemporâneas, “assentando mais um tijolo no túmulo da boa mãe, um mito que há muito já deveria ter desaparecido”.
Entre as imagens mobilizadas pelo ensaio estão as matrioscas, tradicionais bonecas russas que se encaixam umas dentro das outras. A metáfora serve para pensar a transmissão da experiência materna entre gerações: recursos, gestos, narrativas e formas de compreender a maternidade são herdados e novamente transmitidos por meio da linguagem.
Mãe, primeira pessoa também procura amplificar a discussão para além das próprias mães. Ao recuperar a ideia de que toda mãe também foi filha, Gabriela investiga como a literatura pode contribuir para retirar a figura materna do lugar idealizado e observá-la como sujeito de uma experiência marcada, como outras relações humanas, por ambiguidades e contradições.
O livro estará disponível para compra durante o lançamento e também no site da Editora Trote, em pré-venda, com envios a partir de 22 de agosto.






