
O lançamento será realizado às 17h, na Livraria Taverna (Rua dos Andradas, 736 — Porto Alegre / RS), dentro da célebre Casa de Cultura Mario Quintana, com um bate-papo sobre formas breves na ficção contemporânea reunindo o autor e os pesquisadores Luís Augusto Farinatti e Michele Savaris. Na sequência, haverá sessão de autógrafos.
"Esse livro reúne os contos que escrevi e reescrevi nos últimos anos: é o resultado, penso, da tentativa, sempre ilusória de antemão, de esgotar alguns percursos específicos, alguns trechos de cidades, a obsessão, por exemplo, sobre a Avenida Rio Branco de Santa Maria em noites de calor, e de fazer girar uma trama específica para cada um destes lugares, caso se encontre a sorte escapante desta articulação", comenta Iuri ao PublishNews.
Em Praças perdidas, a literatura também participa diretamente das histórias. No conto “Sonhar com cavalos”, por exemplo, uma estudante universitária obcecada por Ninguém nada nunca, de Juan José Saer, descobre que o único exemplar do livro disponível na biblioteca foi retirado por outro leitor e inicia uma busca cada vez mais labiríntica. Já em “Noturno da Avenida”, dois amigos caminham por uma avenida de uma cidade do interior enquanto um deles narra um livro sobre um crime ocorrido naquelas mesmas ruas em 1927.
Porto Alegre, Rosario, São Paulo e Foz do Iguaçu aparecem como organismos autônomos, feitos de ruas vazias, bares noturnos, subestações ferroviárias abandonadas e pátios em penumbra. Em contos como “A barranca estrangeira”, “À sombra, no umbral” e “A cidade ausente”, a caminhada funciona como estrutura narrativa, conduzindo personagens por espaços familiares e, ao mesmo tempo, instáveis.
“Este é um livro que é uma caminhada, seu autor é um grande caminhador, e a cidade gosta de ser caminhada”, escreve o poeta Marco de Menezes no texto da orelha.
O mistério também atravessa os contos de Praças perdidas. Em “Terça-feira gorda”, um homem desaparece após uma noite de Carnaval em Porto Alegre ao lado de integrantes de uma delegação do Club Atlético Huracán. Em “A trama encarnada”, falsificadores em Rosario manipulam registros históricos para alterar detalhes do passado. Já em “Duas, três fronteiras”, um vendedor ambulante de vinhos na tríplice fronteira revela um segredo durante um churrasco no lado paraguaio. As investigações avançam, mas as respostas permanecem incompletas.
Nascido em Santa Maria, em 1991, Iuri Müller é escritor, jornalista e doutor em Letras – Teoria da Literatura pela PUCRS. Em 2016, publicou Luz em nevoeiro, pela Editora Modelo de Nuvem. Praças perdidas é seu segundo livro.







