
A Laboralivros abriu uma campanha de financiamento coletivo para publicar Otogizōshi (Urso), de Osamu Dazai (1909-1948), em edição bilíngue português-japonês. O projeto pretende viabilizar a primeira tradução integral da obra para o português publicada no Brasil, feita diretamente do japonês por Victoria Toscani. Com meta de R$ 37 mil, a campanha já arrecadou quase R$ 13 mil e está disponível no Catarse na modalidade Tudo ou Nada — ou seja, a publicação depende de o projeto atingir 100% desse valor.
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Publicado originalmente no Japão em 1945, Otogizōshi ocupa um lugar singular na produção do autor de Declínio de um homem e O sol se põe, um dos escritores mais importantes do Japão. No livro, Dazai se volta para histórias tradicionais japonesas que atravessaram gerações e as reconta à sua maneira.
A obra reúne quatro narrativas: O velhinho do caroço (Kobutori), Urashima tarō, Kachi kachi yama e O pardal de língua cortada (Shita-kiri Suzume). Oni, tartarugas, tanuki, pardais falantes e reinos fantásticos permanecem nas histórias, mas Dazai interfere nas narrativas com comentários, humor e ironia, além de explorar as motivações e contradições dos personagens.
Histórias tradicionalmente associadas à infância e marcadas por temas como bondade, ganância, justiça e punição ganham, assim, novas camadas psicológicas. Para leitores que conhecem Dazai sobretudo pela melancolia e pelo caráter confessional de seus romances, Otogizōshi revela outra dimensão de sua escrita, em que humor e fantasia convivem com sua percepção das fragilidades humanas.
O contexto em que Otogizōshi foi escrito também atravessa a obra. Dazai retomou as antigas histórias em 1945, durante os meses finais da Segunda Guerra Mundial. No próprio livro, em meio aos ataques aéreos, um pai recorre aos contos tradicionais para entreter a filha.
A narrativa coloca em contato três tempos: o passado das histórias tradicionais japonesas, o Japão em guerra e o olhar de Dazai sobre aqueles relatos. Enquanto o mundo exterior é atravessado pelo conflito, a imaginação e o ato de contar histórias surgem como refúgio.
Edição brasileira
A edição brasileira será publicada pelo selo Urso, da Laboralivros, e terá aproximadamente 350 páginas, em formato 16 × 23 cm. Além dos textos em português e japonês, o volume contará com notas sobre aspectos culturais e folclóricos das narrativas e uma apresentação sobre a obra e seu contexto.
A edição-chefe, o projeto gráfico e a capa são de Lua Bueno Cyríaco e Daniél Silvestre assina a diagramação e as ilustrações. Caso o financiamento alcance metas adicionais, o projeto prevê ainda a inclusão de novas ilustrações no volume.
Fundada em 2018, a Laboralivros é uma editora independente voltada a resgates literários, narrativas fantásticas e obras relacionadas a diferentes tradições culturais. Por meio dos selos Urso e BuruRu, publica projetos com atenção às literaturas asiáticas e a textos raros ou ainda pouco acessíveis no Brasil.






