Editoras ucranianas pedem ajuda internacional após destruição de milhões de livros
PublishNews, Redação, 14/08/2026
Instituto Ucraniano do Livro estima que ofensivas recentes tenham atingido cerca de 30% da produção anual do país, o equivalente a mais de dez milhões de livros; editoras, gráficas, livrarias e bibliotecas estão entre os alvos afetados

Foto veiculada no Publishing Perpectives © Ilho Zarudko
Foto veiculada no Publishing Perpectives © Ilho Zarudko

Mais de dez milhões de livros destruídos, além de editoras, gráficas, armazéns, livrarias e bibliotecas atingidos. Depois de uma série de ataques russos que provocaram graves danos à infraestrutura do livro na Ucrânia nos últimos meses, o Instituto Ucraniano do Livro (UBI, na sigla em inglês) lançou um apelo à comunidade editorial internacional em busca de apoio para a reconstrução do setor.

Segundo o Instituto, apenas os ataques deste verão destruíram o equivalente a cerca de 30% da produção anual de livros do país. O impacto ganha contornos ainda mais urgentes com a proximidade do início do ano letivo. Embora o governo ucraniano prepare recursos para a recuperação da infraestrutura atingida, as editoras dependem também de ajuda internacional para repor os estoques perdidos.

“Embora a recuperação dos danos causados pelos ataques da Rússia exija enormes esforços, tempo e recursos, em nome do Instituto Ucraniano do Livro, pedimos aos nossos parceiros e à comunidade editorial internacional que apoiem as editoras ucranianas e contribuam para sua recuperação”, afirma a entidade, como noticiou o Publishing Perspectives. O documento apresenta diferentes formas de colaboração, incluindo contribuições financeiras diretas às empresas atingidas.

Os prejuízos atravessam diferentes elos da cadeia do livro. A BookChef Publishing House perdeu cerca de 800 mil exemplares em um ataque em 2 de julho. O estoque que havia sobrevivido, estimado em outros 150 mil livros, foi destruído em um segundo ataque. Já a Knyholav Publishing House contabiliza quase 250 mil exemplares perdidos.

Uma das maiores gráficas do país, a Konvi Group informou a destruição de aproximadamente 600 mil livros, entre eles 250 mil exemplares didáticos destinados às escolas. A MISON Publishing teve sua sede editorial completamente destruída, enquanto a Ark.UA Publishing também registrou danos em seus escritórios.

Um dos maiores prejuízos ocorreu em Kharkiv, onde um importante centro de distribuição utilizado pela editora RNK-Ranok e pela rede de livrarias Knygoland foi atingido. Quase 8 milhões de exemplares, correspondentes a cerca de 28,8 mil títulos de diferentes editoras ucranianas, teriam sido destruídos.

O impacto da guerra sobre os livros se estende às bibliotecas. De acordo com dados do Ministério da Cultura da Ucrânia divulgados pelo site Chytomo, 228 bibliotecas foram destruídas e outras 678 danificadas desde o início da invasão russa. Até o fim de julho de 2026, 906 bibliotecas haviam sido afetadas, fazendo delas a segunda maior categoria de equipamentos culturais atingidos no país, atrás apenas dos centros culturais e comunitários.

No apelo, o Instituto Ucraniano do Livro também voltou a pedir que profissionais e empresas do mercado editorial internacional interrompam a cooperação com editoras e agências literárias russas. Para a entidade, diante das tentativas de destruição da cultura ucraniana, o setor editorial internacional tem a responsabilidade de contribuir para que as vozes do país continuem circulando.

“Qualquer forma de colaboração com editoras ou agências literárias russas é uma arma contra as vidas e a cultura ucranianas e contra os esforços de centenas de editores ucranianos que, apesar dos contínuos ataques com mísseis, seguem realizando seu trabalho essencial”, apela o Instituto, em nota oficial.

[14/08/2026 11:29:18]