
A Feira do Livro de Praga, principal evento do setor na República Tcheca, vai realizar a sua 31ª edição, entre os dias 14 e 17 de maio próximo, com um objetivo específico: reforçar o papel do evento como ponto de articulação do mercado editorial da Europa Central e Oriental. A coordenação da feira tem apostado em um posicionamento mais regional e em formatos que dialogam com as transformações recentes da indústria do livro.
"A edição de 2025 bateu recorde de público, com mais de 60 mil visitantes. Isso demonstra algo bastante simples: existe um verdadeiro interesse por eventos culturais presenciais”, afirmou Guillaume Basset ao Publishing Perspectives. “Mas o que está evoluindo não é apenas a escala, mas também a composição. Observa-se um número maior de visitantes jovens, uma presença mais internacional e um espectro mais amplo de formatos".
Para Basset, a ambição para 2026 não é crescer em volume, mas em precisão. “Primeiro, reforçar a dimensão internacional de forma concreta, melhorando as condições para a troca de direitos e encontros profissionais, particularmente entre a Europa Ocidental e Oriental. Segundo, continuar a abrir o programa a formatos que vão além da literatura tradicional”, disse, em entrevista ao Jaroslaw Adamowski.
Entre os destaques da programação está o Mercado do Livro da Europa Central e Oriental (CEEBM), que neste ano terá a Romênia como país em foco, antecipando a sua participação como convidada de honra em 2027. “Estamos introduzindo este conceito pela primeira vez. Ao focarmos na Romênia com um ano de antecedência, pretendemos preparar o terreno para novos contatos, acordos e traduções”, explicou Radovan Auer, diretor da Feira do Livro de Praga, ao PP.
A programação também reflete mudanças no comportamento dos leitores e no próprio mercado editorial da região. Quadrinhos, romances gráficos e literatura juvenil ganham espaço e legitimidade, enquanto formatos híbridos ampliam o alcance das narrativas.
“O que antes era considerado nicho agora está conquistando uma posição mais central, tanto para o público jovem quanto para o adulto”, disse Basset. “De modo geral, os leitores estão se tornando menos apegados a formatos rígidos. O que importa hoje é a qualidade da experiência.” Esse movimento se traduz também na ampliação do escopo de negociação de direitos. Pela primeira vez, o evento incluirá um painel dedicado exclusivamente aos direitos de quadrinhos na Europa Central e Oriental, dentro do CEEBM.
Outro eixo da programação será o debate sobre modelos de financiamento do setor editorial. Um painel comparará as estruturas de apoio de países como Eslovênia, Ucrânia e Bulgária, em um momento em que o sistema de subsídios da República Tcheca enfrenta possíveis mudanças.






