
"Temos dito internamente que são livros que merecem um replay: são obras perenes, cuja qualidade literária persiste, apresentadas em edições bem cuidadas e acessíveis", diz a editora-executiva Lívia Vianna, há oito anos na Record, em entrevista ao PublishNews.
O nome da coleção remete a um formato de veiculação da música que foi muito popular no Brasil a partir dos anos 1950. O compacto, como muitos se recordam e outros tantos talvez nem conheçam, era um pequeno disco de vinil de sete polegadas usado para lançar singles ou condensar sucessos de forma mais barata e ágil do que um LP. Havia o compacto simples, com apenas uma faixa, o duplo, com duas, e os compactos narrados com histórias infantis e poesia, por exemplo. Vendia bastante e as plataformas digitais fizeram escola com os compactos.
A escolha de Não contem com o fim do livro como primeiro volume da coleção também dialoga com um debate recorrente no mercado editorial. Para o diretor editorial Cassiano Elek Machado, a obra reafirma a força do livro impresso diante da expansão dos formatos digitais, que costuma ser interpretado como uma ameaça ao livro físico.
"Em alguns países, o crescimento do consumo de e-book, um dos temas do livro de Eco e Carrière, fez com que editoras se desencantassem dos formatos menores, como se o digital pudesse substituir o livro de bolso. Acreditamos que exista espaço para ambos", afirma Cassiano. "O livro em papel ainda é extremamente eficaz e que é importante que possamos oferecer, com qualidade, formatos que sejam mais acessíveis, para que o leitor possa escolher aquele que melhor lhe convém", completa Lívia.
A partir de uma curadoria voltada para obras já consolidadas e assinada por Lívia e Cassiano, a coleção pretende reunir edições integrais, leves e acessíveis, de títulos considerados permanentes do catálogo da Record. O grupo editorial reúne mais de oito mil títulos, distribuídos por 17 selos, entre eles os tradicionais José Olympio, Civilização Brasileira, Paz & Terra. Futuramente, pretendem interagir com leitores para que ajudem a escolher os livros da coleção.
"Dentro de todo este universo, já temos uma seleção de títulos, mas a ideia é ir definindo esta lista com o passar do tempo", adiantou Cassiano, prestes a completar quatro anos na direção editorial da casa da família Machado. A expectativa é lançar cerca de dez títulos por ano, resgatando obras que já fizeram sucesso em outras edições. Os preços variam de R$ 35 a R$ 60.
O cuidado com a coleção também fica visível no projeto gráfico, criado por Leonardo Iaccarino. Cada volume recebe uma capa inédita, assinada por um ilustrador ou designer diferente, proposta que busca unir a identidade de cada obra a uma linguagem visual comum, no intuito de estimular o desejo daqueles que têm o comichão de colecionador.
"Seja por ser um formato mais portátil, seja pelo preço mais acessível, ou por gostar de seu novo visual. Cada livro tem um desenho de um artista plástico ou designer. É uma maneira de trazer diferentes linguagens gráficas para uma só coleção e estimular que os leitores também possam querer colecionar os Compactos", pondera Lívia.
A primeira leva inclui ainda Memórias do subsolo, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881) que recentemente caiu nas graças dos booktokers, publicado em 1864, com ilustração de capa de Hana Luzia; A peste, clássico de Albert Camus (1913-1960), lançado em 1947 e traduzido para o português três anos depois por Graciliano Ramos (1892-1953) e de volta ao interesse dos leitores puxado pela pandemia da covid 19, com desenho de Deco Farkas; e o pouco lembrado A família Medeiros, de Júlia Lopes de Almeida (1862-1934), publicado originalmente em 1893, agora com ilustração de Belisa Bagiani.






