Oficina Machadô en Français convida leitores a 'destraduzir' Quincas Borba
PublishNews, Redação, 06/07/2026
Destinada a participantes com alguma familiaridade com o idioma francês, a oficina gratuita de quatro aulas integra a programação dos 65 anos da BiblioMaison, no Centro do Rio

O que acontece quando um clássico da literatura brasileira é lido em francês antes de voltar ao português? Essa é a experiência proposta pelo ateliê Machadô en Français: A destradução de Quincas Borba, que a BiblioMaison (Av. Presidente Antônio Carlos, 58 / 11° andar, no Centro — Rio de Janeiro / RJ) vai realizar às quartas-feiras de julho (dias 8, 15, 22 e 29), às 17h30. Ministrada pela psicanalista e tradutora Cristina Birck, a oficina integra a programação dos 65 anos da instituição e convida participantes a redescobrir o romance de Machado de Assis (1939-1908) por meio de sua tradução.

Destinado a participantes com alguma familiaridade com o idioma francês, o ateliê parte da leitura e do estudo da tradução francesa de Quincas Borba, de 1955. O romance foi originalmente publicado no Brasil em 1891 e é um dos clássicos incontornáveis da literatura brasileira. A partir desse texto, cada participante escreverá a sua própria versão em português e, ao final, vai comparar o resultado com o original de Machado de Assis, refletindo sobre escolhas de linguagem, estilo e tradução.

"Machado é um autor profundamente carioca, e realizar essa oficina no Rio torna essa experiência ainda mais especial. Mas a escolha passa, sobretudo, pela força da sua obra. Trabalhar seus textos é sempre uma oportunidade de descobrir novas camadas da língua e da literatura", diz ao PublishNews a professora Cristina Birck, gaúcha radicada no Rio de Janeiro, que morou alguns anos em Paris.

Outro diferencial da oficina são as ilustrações da artista visual Aline Deorristt, desenvolvidas especialmente para servir de ponto de partida para os exercícios de escrita dos participantes. Colaboradora desta edição e frequentadora dos ateliês anteriores, — o mais recente versou sobre a obra de Clarice Lispector —, Aline destaca o caráter afetivo da experiência.

"A oficina é um encontro cheio de afeto com a língua francesa. Resgata na gente o amor pelos livros e pela leitura, um hábito que anda mais difícil em tempos de redes sociais. É um mundo que se descortina quando lemos um autor em outra língua e o redescobrimos em português. Mesmo quando a leitura em francês exige mais atenção, a condução dos encontros é cuidadosa, o clima é acolhedor. O enlace entre língua, literatura e cultura é genial", incentiva a artista.

As inscrições estão abertas para pessoas com conhecimentos básicos de francês por meio deste formulário.

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