
A Tencent Music Entertainment (TME) — principal plataforma chinesa de streaming de áudio — concluiu a aquisição da Ximalaya, por US$ 2,4 bilhões. A empresa é uma das principais plataformas chinesas de áudio online, especializada em podcasts, audiolivros e conteúdos falados. A operação, anunciada em junho de 2025 e aprovada sob condições pelas autoridades chinesas de defesa da concorrência, foi finalizada em 18 de maio de 2026, em um comunicado enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong e em um documento protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC).
A operação foi estruturada com pagamento em dinheiro e ações. Os acionistas da Ximalaya receberam até US$ 1,26 bilhão em dinheiro e até 175,3 milhões de ações ordinárias Classe A da TME. Dependendo da avaliação atribuída a esses papéis, a aquisição da Ximalaya é estimada entre 2,4 e 2,7 bilhões de dólares. A agência Reuters informou no ano passado que a parcela em ações da operação representava aproximadamente 5,2% do total de ações em circulação da companhia.
Agora, com o fim da transação, a Ximalaya tornou-se uma subsidiária integral da Tencent Music Entertainment. O grupo chinês já é proprietário das plataformas QQ Music, Kugou Music e Kuwo Music.
História da negociação
A compra ocorre após um longo processo, iniciado no dia 10 de junho de 2025, quando a Tencent Music havia anunciado a assinatura de um acordo de fusão com a Ximalaya e outras partes envolvidas. Na época, a operação ainda dependia de aprovações regulatórias e de outras condições para sua conclusão. Entre os acionistas da Ximalaya estavam a Tencent Holdings, controladora da Tencent Music, além da Baidu e da Sony Music Entertainment.
Fundada como uma plataforma de áudio online, a Ximalaya consolidou-se como um dos principais atores do mercado chinês de podcasts, audiolivros e conteúdos falados. Em um pedido de abertura de capital apresentado em 2024, a empresa informou ter alcançado 303 milhões de usuários ativos mensais em 2023. Entre 2021 e 2024, tentou várias vezes abrir capital, primeiro nos Estados Unidos e depois em Hong Kong, sem levar esses projetos adiante.
Para a TME, o interesse estratégico é o de complementar seu império musical com uma oferta massiva de áudio de longa duração. Em 2025, Cussion Pang, presidente-executivo do grupo, afirmava que o áudio de formato longo representava “uma forma de conteúdo muito importante”, naturalmente complementar ao principal negócio musical da empresa.
A transação despertou atenção especial das autoridades chinesas. No dia 12 de maio de 2026, a Administração Estatal para Regulação do Mercado aprovou a aquisição, mas impôs condições rigorosas. O órgão avaliou que a operação poderia gerar efeitos de exclusão ou restrição da concorrência nos mercados chineses de áudio online e música por streaming.
Limites ao gigante do áudio
Segundo a autoridade chinesa de concorrência, a Ximalaya representava entre 40% e 50% do mercado chinês de plataformas de áudio online em 2024. A Tencent Music tinha participação bem menor, entre 0% e 10%. A operação também reduz o número de concorrentes generalistas capazes de disputar esse mercado, no qual o regulador aponta Fanqie Changting e NetEase Cloud Music entre os principais rivais.
A Administração Estatal para Regulação do Mercado também destacou uma questão relacionada ao setor automotivo. Como os serviços de áudio e música tendem a ocupar um espaço cada vez maior nos sistemas de entretenimento instalados nos veículos, a Tencent poderia, segundo o regulador, usar sua força combinada nos mercados de música e áudio para impor seus serviços às montadoras ou restringir o acesso de concorrentes a esse canal de distribuição.
Para evitar esses efeitos anticoncorrenciais, foram impostos cinco compromissos principais. Tencent, Ximalaya e a empresa resultante da fusão não poderão aumentar os preços dos serviços de áudio online sem justificativa válida, nem reduzir sua qualidade ou impor condições comerciais abusivas aos usuários. Também não poderão diminuir a proporção de conteúdos gratuitos ou de conteúdos populares oferecidos gratuitamente na plataforma.
O regulador também proibiu o novo grupo de firmar novos contratos de exclusividade com detentores de direitos de conteúdos de áudio online e determinou o encerramento dos acordos exclusivos já existentes dentro de um prazo estabelecido. Essa exigência amplia para os mercados de audiolivros, podcasts e conteúdos falados uma lógica já aplicada à Tencent Music no setor musical, quando a empresa foi obrigada a abandonar contratos exclusivos com grandes gravadoras em 2021.
As autoridades chinesas também estabeleceram regras para a distribuição em veículos conectados. Tencent Music e Ximalaya não poderão vincular seus serviços de música e áudio nas negociações com montadoras, nem impedir que essas empresas escolham soluções concorrentes. Além disso, o grupo não poderá impedir apresentadores, criadores de conteúdo de áudio e podcasters de distribuir suas obras em outras plataformas.
O regulador observou ainda que a inteligência artificial poderá alterar a dinâmica do setor, especialmente ao facilitar a conversão de textos em conteúdos de áudio a custos mais baixos, ampliando a oferta gratuita e pressionando os modelos tradicionais baseados em assinaturas.
O ecossistema da Tencent
A Tencent Music Entertainment (TME) é a divisão musical da Tencent Holdings, um dos grupos tecnológicos mais poderosos da China. Listada nas bolsas de Nova York e Hong Kong, a TME se apresenta como a principal plataforma chinesa de música e entretenimento em áudio online.
Sua controladora ocupa uma posição central no ecossistema digital chinês. O grupo controla o WeChat/Weixin, além de operações em jogos eletrônicos, publicidade, serviços financeiros, computação em nuvem e diversos outros ativos digitais. Em 2025, a Tencent registrou receita de 660,3 bilhões de yuans (aproximadamente 83,8 bilhões de euros), crescimento de 14% em relação ao ano anterior, e informou ter alcançado 1,418 bilhão de usuários ativos mensais no WeChat e no Weixin ao final do ano.
Controlar uma plataforma como o WeChat significa ocupar uma posição praticamente indispensável na vida cotidiana chinesa. O aplicativo funciona simultaneamente como serviço de mensagens, rede social, meio de pagamento, portal de serviços, ferramenta profissional e porta de entrada para uma ampla variedade de conteúdos digitais.
As informações da nota são do Actualitté e do Music Bussiness World.







