
Porém, durante o anúncio, o lançamento do estudo acabou dividindo espaço com um tema que tem mobilizado o mercado editorial: a regulamentação da inteligência artificial e a proteção dos direitos autorais.
Em tom descontraído, o presidente do SNEL, Dante Cid, comentou que havia acabado de consultar a IA do seu celular sobre este número e já o encontrou atualizado por causa do estudo. A brincadeira serviu de gancho para que ele defendesse a proteção à criação intelectual brasileira.
“Uso a oportunidade e a casa cheia para falar que a gente precisa conscientizar os deputados federais de que a proteção à criação brasileira é essencial. É hora de combater que conteúdos criados pelos autores que vivem desse trabalho sejam assimilados pelas plataformas internacionais para serem cuspidos do outro lado de uma forma derivada”, alertou o executivo.
Para Dante, mudanças legislativas relacionadas ao uso de obras protegidas por sistemas de IA exigem amplo debate com os setores envolvidos. “Votação simbólica ou sumária no Senado não daria espaço ao diálogo que isso vai causar: Todo o conteúdo da criação brasileira entregue de bandeja para as empresas estrangeiras usarem como quiserem”.
O presidente do SNEL também argumentou que as grandes empresas de tecnologia devem contribuir para a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva do livro. “Não é possível que, principalmente essas grandes empresas que têm condição de pagar, não utilizem a criação dos autores, garantindo a sustentabilidade do ecossistema do livro”.

Primeiro levantamento robusto sobre a quantidade de editoras em atividade no país, o Guia de Editoras compila dados sobre subsetores de atuação, distribuição geográfica, faixas de faturamento e presença de grupos estrangeiros com operação no Brasil. A construção da base exigiu um amplo processo de verificação e cruzamento de informações.
De acordo com a economista Mariana Bueno, da Nielsen BookData, a iniciativa buscou produzir um mapeamento para ajudar no desenvolvimento do mercado editorial brasileiro. O Guia se soma a outros estudos, como Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, Painel do Varejo de Livros no Brasil e Retratos da Leitura no Brasil.
“Dado é um ativo fundamental e foi um prazer fazer esse guia. Quando o SNEL trouxe a ideia, de cara pensamos em correr atrás de outras informações que permitissem que chegássemos a um mapa que fosse além dessa lista”, disse a economista, na cerimônia no SNEL. Ela disse que fez a pesquisa ao lado de Sol Aroma e Luiz Gaspar.
Em suma, alguns dados que apareceram na pesquisa: A maioria das editoras está concentrada no Sudeste (77%), com o segundo lugar no Sul (13%), seguido por Nordeste (5%), Centro-Oeste (3%) e Norte (2%) — desse total, 76% das editoras estão localizadas nas capitais e 24% nas demais cidades do país. As editoras colocam nas livrarias Obras Gerais (64%), CTP (18%), Religiosos (12%) e Didáticos (6%).
A região Sudeste concentra 97% do faturamento total das editoras, da ordem dos R$ 7,2 bilhões. E as editoras que não produzem livros no Brasil, mas mantém operação aqui a fim de comercializar livros impressos e/ou digitais faturaram cerca de R$ 340 milhões em 2025.
“O trabalho começou com a nossa equipe definindo o que são editoras e verificando CNAEs e situação na Receita Federal. Essa triagem foi o que levou mais tempo. Em certo momento, tínhamos uma tabela com 8 mil editoras. Visitamos sites, redes sociais, buscamos catálogo. Depois fomos reunindo as informações geográficas, entendendo os subsetores, até, finalmente usarmos os dados de produção e vendas para chegar nos faturamento das editoras”, explicou Mariana Bueno.







