Carlos Dala Stella estreia na fábula com história sobre infância e passagem do tempo
PublishNews, Redação, 01/06/2026
Em 'O anão de asas vermelhas', autor cria uma narrativa ambientada em um bairro de Curitiba, onde três crianças capturam uma criatura insólita, um pequeno ser humanoide com asas de borboleta

Poeta, artista plástico e contista, Carlos Dala Stella lança o seu primeiro livro no território da fábula, O anão de asas vermelhas (Maralto Edições). Nele, o autor cria uma narrativa ambientada em Santa Felicidade, bairro de sua Curitiba natal, onde três crianças capturam uma criatura insólita, um pequeno ser humanoide com asas de borboleta. A partir desse encontro, a obra combina fantasia e lirismo para tratar de temas como infância, luto, memória e passagem do tempo.

O livro será lançado no próximo sábado, 6 de junho, durante a Festa Literária de Morretes (Flimo), a ser realizada no Instituto Mirtilo Trombini (Largo Lamenha Lins, 66 — Morretes / PR), em uma conversa entre Carlos Dala Stella e José Castello mediada pela editora Vanessa Rodrigues. O autor ainda participará de outro evento na quinta-feira, 2 de julho, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509 — São Paulo / SP).

A trama acompanha os irmãos Rael e Gala e a prima Lila, que descobrem e aprisionam um ser misterioso, descrito como uma espécie de pequeno Ícaro vermelho. Entre bosques, quintais e ruas de Santa Felicidade, a narrativa explora o olhar infantil diante do desconhecido e constrói um universo em que realidade e imaginação convivem sem fronteiras rígidas.

A linguagem ocupa papel central na construção do livro. Dala Stella aposta em uma escrita fragmentada e sensorial, que desacelera a leitura e convida o leitor a percorrer o texto com atenção. “Desde o primeiro capítulo, a linguagem também é protagonista, o que exige certa atenção do leitor”, explica o autor, no release enviado à imprensa. “Tanto quanto a aventura narrada, o percurso da linguagem também é uma experiência a ser provada, uma experiência plástica de sentido.”

A origem da obra remonta a uma antiga fascinação do autor pelo mito de Ícaro, que ganhou novo impulso após a leitura de Autobiografia do vermelho, da escritora canadense Anne Carson. A estrutura fragmentária do romance em versos inspirou a construção de capítulos curtos e independentes.

“Embora eu tivesse o desejo de escrever algo com personagens crianças há muito tempo, com um tom fabulesco, o gatilho detonador foi o início desse romance em versos da escritora canadense, que é uma das vozes mais originais da atualidade”, afirma, no material de divulgação.

Entre suas referências literárias, Dala Stella cita dois mestres: Gabriel García Márquez (1927-2014) e Italo Calvino (1923-1985). Do primeiro, herdou o encantamento diante do extraordinário; do segundo, a força da sugestão e do não dito.

As artes visuais também atravessam a narrativa. Artista plástico com trajetória iniciada nos anos 1980, o autor constrói cenas marcadas por forte dimensão imagética, povoando a história com insetos, pássaros, sonhos e paisagens que ampliam o caráter fantástico da obra.

“Penso na Santa Felicidade do livro como uma grande tela em movimento, em que um pequeno Ícaro vermelho sobrevoa telhados, ruas e bosques, atravessando o ar insólito de uma manhã quase normal. Quando ele pousa, a tela vai revelando seus segredos. É deles que a narrativa trata”, resume, na nota oficial.

Tags: Maralto
[01/06/2026 12:00:19]