
Poeta, artista plástico e contista, Carlos Dala Stella lança o seu primeiro livro no território da fábula, O anão de asas vermelhas (Maralto Edições). Nele, o autor cria uma narrativa ambientada em Santa Felicidade, bairro de sua Curitiba natal, onde três crianças capturam uma criatura insólita, um pequeno ser humanoide com asas de borboleta. A partir desse encontro, a obra combina fantasia e lirismo para tratar de temas como infância, luto, memória e passagem do tempo.
O livro será lançado no próximo sábado, 6 de junho, durante a Festa Literária de Morretes (Flimo), a ser realizada no Instituto Mirtilo Trombini (Largo Lamenha Lins, 66 — Morretes / PR), em uma conversa entre Carlos Dala Stella e José Castello mediada pela editora Vanessa Rodrigues. O autor ainda participará de outro evento na quinta-feira, 2 de julho, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509 — São Paulo / SP).
A trama acompanha os irmãos Rael e Gala e a prima Lila, que descobrem e aprisionam um ser misterioso, descrito como uma espécie de pequeno Ícaro vermelho. Entre bosques, quintais e ruas de Santa Felicidade, a narrativa explora o olhar infantil diante do desconhecido e constrói um universo em que realidade e imaginação convivem sem fronteiras rígidas.
A linguagem ocupa papel central na construção do livro. Dala Stella aposta em uma escrita fragmentada e sensorial, que desacelera a leitura e convida o leitor a percorrer o texto com atenção. “Desde o primeiro capítulo, a linguagem também é protagonista, o que exige certa atenção do leitor”, explica o autor, no release enviado à imprensa. “Tanto quanto a aventura narrada, o percurso da linguagem também é uma experiência a ser provada, uma experiência plástica de sentido.”
A origem da obra remonta a uma antiga fascinação do autor pelo mito de Ícaro, que ganhou novo impulso após a leitura de Autobiografia do vermelho, da escritora canadense Anne Carson. A estrutura fragmentária do romance em versos inspirou a construção de capítulos curtos e independentes.
“Embora eu tivesse o desejo de escrever algo com personagens crianças há muito tempo, com um tom fabulesco, o gatilho detonador foi o início desse romance em versos da escritora canadense, que é uma das vozes mais originais da atualidade”, afirma, no material de divulgação.
Entre suas referências literárias, Dala Stella cita dois mestres: Gabriel García Márquez (1927-2014) e Italo Calvino (1923-1985). Do primeiro, herdou o encantamento diante do extraordinário; do segundo, a força da sugestão e do não dito.
As artes visuais também atravessam a narrativa. Artista plástico com trajetória iniciada nos anos 1980, o autor constrói cenas marcadas por forte dimensão imagética, povoando a história com insetos, pássaros, sonhos e paisagens que ampliam o caráter fantástico da obra.
“Penso na Santa Felicidade do livro como uma grande tela em movimento, em que um pequeno Ícaro vermelho sobrevoa telhados, ruas e bosques, atravessando o ar insólito de uma manhã quase normal. Quando ele pousa, a tela vai revelando seus segredos. É deles que a narrativa trata”, resume, na nota oficial.







