José Castello reúne crônicas sobre a vida urbana em 'Histórias miseráveis'
PublishNews, Redação, 24/03/2026
Coletânea da Maralto Edições, organizada por Rogério Pereira, reúne textos publicados entre 2016 e 2023 a partir de personagens invisibilizados e experiências-limite

O escritor, jornalista e biógrafo José Castello, vencedor do Prêmio Jabuti, lança em abril Histórias miseráveis (Maralto Edições), coletânea de crônicas que reúne 35 textos publicados entre 2016 e 2023 no jornal Rascunho e no Suplemento Pernambuco. Organizada por Rogério Pereira, a obra parte da observação da vida urbana para explorar as contradições e tensões que atravessam a experiência contemporânea.

O lançamento será acompanhado de encontros com o autor em três capitais, São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro: no dia 8 de abril (quarta-feira), às 18h, na Livraria Martins Fontes (Avenida Paulista, 509 – São Paulo / SP); no dia 11 de abril (sábado), às 10h30, na Livraria Arte e Letra (Rua Desembargador Motta, 2011 – Curitiba / PR); e no dia 19 de abril (domingo), às 16h, na Livraria Argumento (Rua Dias Ferreira, 417 — Rio de Janeiro / RJ). O livro custa R$ 65,90.

Ao longo do livro, Castello assume a posição de um cronista que se detém sobre aquilo que não é imediatamente visível, acompanhando personagens à margem — desabrigados, solitários, existências silenciadas — e construindo narrativas em que o cotidiano se cruza com o estranhamento e a inquietação. A crônica de abertura, “A filósofa de guarda-chuva”, evoca a infância do autor e estabelece uma imagem fundadora de sua escrita: a leitura como forma de iluminar zonas obscuras da experiência.

“Não só pelos limites estreitos e sufocantes que definem a aventura humana, mas também pelos tempos difíceis e até dramáticos em que hoje vivemos. Meu narrador, esse cronista desesperançado que não sou eu, mas que se parece muito comigo, é um homem que tenta resistir em meio a um mundo que desaba e se desfigura. Em seu cotidiano, ele luta para se conectar com uma realidade que lhe escapa e que o ignora e despreza. Hoje, a miséria está exposta, de modo escandaloso, nas ruas das grandes cidades. Ela se incorpora, sobretudo, nesses seres invisíveis que dormem sob as marquises e que se agasalham em trapos imundos e em caixas de papelão. O capitalismo avançado produz riqueza para uma minoria. Ao mesmo tempo, produz imensa miséria e uma infeliz horda de miseráveis. Com as armas frágeis de que dispõe, meu cronista luta para se aproximar desses tristes seres invisíveis, que o capitalismo descarta como se fossem lixo”, afirma o autor no material de divulgação.

A dimensão autobiográfica atravessa os textos, ainda que de forma deslocada, como o próprio Castello observa: “Todas as minhas crônicas guardam um fundo autobiográfico. O que não significa dizer que elas sejam confissão, ou autobiografia. O eu que narra minhas crônicas sou eu, mas não sou eu. É, de novo, um ser limítrofe. Um ser impreciso, como é imprecisa a realidade em que ele se move. Não interessa saber se tal fato aconteceu mesmo comigo, ou não aconteceu. O que importa saber é se fui capaz de fazer algo com ele. Se fui capaz de usá-lo como uma alavanca para acessar o real”.

Na apresentação, Rogério Pereira define o conjunto como o percurso de um cronista que “não descansa enquanto não estabelece laços entre coisas desamarradas”. Histórias miseráveis já está à venda no e-commerce da editora e em livrarias e integra o Programa de Formação Leitora Maralto, voltado a escolas de todo o país.

[24/03/2026 09:13:06]