Longa 'O gênio do crime' adapta texto clássico para falar com jovens de hoje
PublishNews, Beatriz Sardinha, 20/05/2026
Em entrevista ao PN, diretor Lipe Binder fala do desafio de manter DNA da Turma do gordo ao trazer obra de 1969 para os dias atuais

Elenco jovem de 'O gênio do crime' | © Divulgação
Elenco jovem de 'O gênio do crime' | © Divulgação
Em cartaz nos cinemas brasileiros desde 14 de maio, o filme de aventura Gênio do crime gira em torno de quatro amigos que se veem envolvidos em uma investigação surpreendente ao descobrirem uma sofisticada falsificação de uma figurinha rara do álbum da Copa do Mundo.

Considerado um clássico da literatura infantojuvenil brasileira, O gênio do crime (Global Editora), de João Carlos Marinho, foi publicado originalmente em 1969, e tornou-se um marco do gênero, com mais de um milhão de exemplares vendidos e cerca de 60 edições ao longo de sua trajetória.

A nova adaptação cinematográfica acompanha as aventuras da icônica turma do Gordo, formada pelos jovens personagens interpretados por Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto. Na trama, após completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 ao conquistar a cobiçada figurinha rara de Vinícius Júnior, o personagem Edmundo (Samuel Estevam) segue com os amigos até a fábrica responsável pelo álbum para retirar o prêmio prometido.

Com direção de Lipe Binder (de Betinho: No fio da navalha, Império), roteiro de Ana Reber (Depois do Universo) e produção de Tiago Mello (3%), o longa é produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, e distribuído pela Paris Filmes.

Confira a entrevista do PN com o diretor do longa, Lipe Binder:

PublishNews — Qual foi o maior desafio da adaptação?

Diretor Lipe Binder | © Divulgação
Diretor Lipe Binder | © Divulgação

Lipe — O maior desafio foi, sem dúvida, adaptar esse texto de 1969 para 2026, sobre como os jovens se relacionam, brincam e falam, porque houve uma mudança muito grande nesses últimos 50 e poucos anos, e isso era uma coisa fundamental para ser atualizada, para contarmos uma história contemporânea. Ao mesmo tempo mantendo o DNA da história que é de mistério, aventura e amizade e diversas questões dessa faixa-etária. Acho que esse foi o desafio para que a história se mantivesse original e atualizada para os dias de hoje.

PN — Poderia dar mais detalhes da escalação do elenco? O que era indispensável na adaptação de cada um dos personagens?

Lipe — Acho que a grande prioridade da nossa escalação foi acertar esse quarteto protagonista. A gente precisava de um protagonista inteligente e fomos muito felizes em encontrar o Francisco Galvão, que interpreta o João/Gordo. Fizemos muitos testes para cada um dos personagens. A Berenice que é uma personagem muito importante, nossa protagonista feminina, tivemos a felicidade de encontrar a Bella Alelaf, que é uma baita atriz, que soube trazer toda a inteligência e perspicácia dessa personagem. O Samuel Estevam é o nosso galã Edmundo, jogador de futebol, grande ator e muito profissional. E o nosso amado Breno Kaneto — Pituca — que é um ator muito espontâneo, rico.

Foi fundamental conseguir preparar os quatro durante um mês porque são a essência do filme. A gente precisava dessa integração, da individualidade dos personagens então testamos muito e encontramos quatro jóias para contar essa história.

O restante foi encontrar os adultos para continuar o enredo, e temos o personagem do Seu Tomé que é o Ailton Graça, o personagem do Douglas Silva, que é o Caíque, e o personagem do Marcos Veras que é o Mister Mistério, que são os três maiores personagens da trama adulta.

Para os outros personagens tivemos o luxo de conseguir muitos grandes atores para interpretar algumas cenas, emprestando talento para esse filme, como Thelmo Fernandes, a Fafá Renault que fazem os pais, o Ravel Cabral, que faz uma cena como jornaleiro, a Georgette Fadel que é uma baita atriz que faz uma cena na escola, a Larissa Dias que faz a sobrinha do Seu Tomé, que é uma grande atriz com quem eu já tinha trabalhado, o Rafael Losso, nosso cambista.

Grandes participações de atores com quem eu já tinha trabalhado e quiseram participar do filme, então, foi uma grande felicidade poder colocar tantas pessoas talentosas no nosso elenco e ter um quarteto maravilhoso e brilhante para protagonizar essa história.

'O gênio do crime' | © Fabio Braga / Pivô Audiovisual
'O gênio do crime' | © Fabio Braga / Pivô Audiovisual

PN — De que forma você vê o envolvimento das personagens com a cidade de São Paulo? Como foi trabalhar essa movimentação do elenco no set?

Lipe — Foi fundamental trazer São Paulo para dentro da história. Acho que é uma faixa-etária de 12, 13 anos quando você começa a sair de casa, conhecer sua cidade, então, a gente teve várias externas em pontos icônicos de SP, no centro, no MASP, na Paulista. Eu acho que a cidade acaba sendo um personagem na história, e era muito importante que tivessemos esse elemento para ilustrar um pouco, através do filme, da trama, a relação que você tem com sua cidade a partir de certa idade.

PN — Como você enxerga o legado do livro? Acha que o filme pode trazer uma nova geração para essa série de histórias?

Lipe — O legado do Gênio do crime é enorme, estamos falando de um livro que tem 57 anos de idade, ainda um best-seller vendendo pelo menos 40 mil cópias por ano, então é a prova que já atravessou cinco, seis gerações de jovens, e é um marco na nossa literatura. Eu acho que também é uma oportunidade de trazer essa nova geração para o cinema e contar a história desse gênero, que é o infanto-juvenil. João Carlos Marinho escreveu grandes livros para essa faixa-etária. O gênio do crime é o primeiro, mas acho que é um gênero muito legal e não tanto explorado nesses últimos anos e décadas no Brasil. Temos intenção forte de trazer essa nova geração de volta ao cinema e formar novas gerações que cultivem o cinema como sétima arte e queiram ver histórias brasileiras nas telonas.

PN — Há alguma expectativa de uma continuação para o filme?

Lipe — Acho que existe sim uma expectativa na continuação do filme, tivemos algumas perguntas na coletiva sobre isso. O João Carlos Marinho escreveu alguns livros dos personagens da Turma do Gordo, tem várias outras aventuras que o Tiago Mello, da Boutique Filmes, tem os direitos. Acho que existe sim essa intenção, agora é ver se tudo se encaixa entre investimentos e interesses para que a gente consiga dar continuidade às grandes obras que ele escreveu e trazer excelentes filmes para essa faixa-etária.

Confira o trailer


[20/05/2026 09:38:55]