
Considerado um clássico da literatura infantojuvenil brasileira, O gênio do crime (Global Editora), de João Carlos Marinho, foi publicado originalmente em 1969, e tornou-se um marco do gênero, com mais de um milhão de exemplares vendidos e cerca de 60 edições ao longo de sua trajetória.
A nova adaptação cinematográfica acompanha as aventuras da icônica turma do Gordo, formada pelos jovens personagens interpretados por Francisco Galvão, Bella Alelaf, Samuel Estevam e Breno Kaneto. Na trama, após completar o álbum da Copa do Mundo de 2026 ao conquistar a cobiçada figurinha rara de Vinícius Júnior, o personagem Edmundo (Samuel Estevam) segue com os amigos até a fábrica responsável pelo álbum para retirar o prêmio prometido.
Com direção de Lipe Binder (de Betinho: No fio da navalha, Império), roteiro de Ana Reber (Depois do Universo) e produção de Tiago Mello (3%), o longa é produzido pela Boutique Filmes, em coprodução com a Globo Filmes, e distribuído pela Paris Filmes.
Confira a entrevista do PN com o diretor do longa, Lipe Binder:
PublishNews — Qual foi o maior desafio da adaptação?

Lipe — O maior desafio foi, sem dúvida, adaptar esse texto de 1969 para 2026, sobre como os jovens se relacionam, brincam e falam, porque houve uma mudança muito grande nesses últimos 50 e poucos anos, e isso era uma coisa fundamental para ser atualizada, para contarmos uma história contemporânea. Ao mesmo tempo mantendo o DNA da história que é de mistério, aventura e amizade e diversas questões dessa faixa-etária. Acho que esse foi o desafio para que a história se mantivesse original e atualizada para os dias de hoje.
PN — Poderia dar mais detalhes da escalação do elenco? O que era indispensável na adaptação de cada um dos personagens?
Lipe — Acho que a grande prioridade da nossa escalação foi acertar esse quarteto protagonista. A gente precisava de um protagonista inteligente e fomos muito felizes em encontrar o Francisco Galvão, que interpreta o João/Gordo. Fizemos muitos testes para cada um dos personagens. A Berenice que é uma personagem muito importante, nossa protagonista feminina, tivemos a felicidade de encontrar a Bella Alelaf, que é uma baita atriz, que soube trazer toda a inteligência e perspicácia dessa personagem. O Samuel Estevam é o nosso galã Edmundo, jogador de futebol, grande ator e muito profissional. E o nosso amado Breno Kaneto — Pituca — que é um ator muito espontâneo, rico.
Foi fundamental conseguir preparar os quatro durante um mês porque são a essência do filme. A gente precisava dessa integração, da individualidade dos personagens então testamos muito e encontramos quatro jóias para contar essa história.
O restante foi encontrar os adultos para continuar o enredo, e temos o personagem do Seu Tomé que é o Ailton Graça, o personagem do Douglas Silva, que é o Caíque, e o personagem do Marcos Veras que é o Mister Mistério, que são os três maiores personagens da trama adulta.
Para os outros personagens tivemos o luxo de conseguir muitos grandes atores para interpretar algumas cenas, emprestando talento para esse filme, como Thelmo Fernandes, a Fafá Renault que fazem os pais, o Ravel Cabral, que faz uma cena como jornaleiro, a Georgette Fadel que é uma baita atriz que faz uma cena na escola, a Larissa Dias que faz a sobrinha do Seu Tomé, que é uma grande atriz com quem eu já tinha trabalhado, o Rafael Losso, nosso cambista.
Grandes participações de atores com quem eu já tinha trabalhado e quiseram participar do filme, então, foi uma grande felicidade poder colocar tantas pessoas talentosas no nosso elenco e ter um quarteto maravilhoso e brilhante para protagonizar essa história.

PN — De que forma você vê o envolvimento das personagens com a cidade de São Paulo? Como foi trabalhar essa movimentação do elenco no set?
Lipe — Foi fundamental trazer São Paulo para dentro da história. Acho que é uma faixa-etária de 12, 13 anos quando você começa a sair de casa, conhecer sua cidade, então, a gente teve várias externas em pontos icônicos de SP, no centro, no MASP, na Paulista. Eu acho que a cidade acaba sendo um personagem na história, e era muito importante que tivessemos esse elemento para ilustrar um pouco, através do filme, da trama, a relação que você tem com sua cidade a partir de certa idade.
PN — Como você enxerga o legado do livro? Acha que o filme pode trazer uma nova geração para essa série de histórias?
Lipe — O legado do Gênio do crime é enorme, estamos falando de um livro que tem 57 anos de idade, ainda um best-seller vendendo pelo menos 40 mil cópias por ano, então é a prova que já atravessou cinco, seis gerações de jovens, e é um marco na nossa literatura. Eu acho que também é uma oportunidade de trazer essa nova geração para o cinema e contar a história desse gênero, que é o infanto-juvenil. João Carlos Marinho escreveu grandes livros para essa faixa-etária. O gênio do crime é o primeiro, mas acho que é um gênero muito legal e não tanto explorado nesses últimos anos e décadas no Brasil. Temos intenção forte de trazer essa nova geração de volta ao cinema e formar novas gerações que cultivem o cinema como sétima arte e queiram ver histórias brasileiras nas telonas.
PN — Há alguma expectativa de uma continuação para o filme?
Lipe — Acho que existe sim uma expectativa na continuação do filme, tivemos algumas perguntas na coletiva sobre isso. O João Carlos Marinho escreveu alguns livros dos personagens da Turma do Gordo, tem várias outras aventuras que o Tiago Mello, da Boutique Filmes, tem os direitos. Acho que existe sim essa intenção, agora é ver se tudo se encaixa entre investimentos e interesses para que a gente consiga dar continuidade às grandes obras que ele escreveu e trazer excelentes filmes para essa faixa-etária.
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