Sessão Solene na Câmara celebrou o Dia Mundial do Livro
PublishNews, Redação, 30/04/2026
Representates do setor livreiro defenderam a alocação de recursos para o PNLL e a necessidade de transformar o PNLD em Lei

Evento reuniu autoridades e representantes do setor livreiro no Plenário da Câmara | © Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Evento reuniu autoridades e representantes do setor livreiro no Plenário da Câmara | © Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados realizou, nesta quarta-feira (29), uma Sessão Solene em celebração ao Dia Mundial do Livro. A iniciativa foi organizada pela Frente Parlamentar do Livro, da Leitura e da Escrita, presidida pela deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS), com apoio do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Após a sessão, os convidados participaram de um café da manhã no Salão Nobre da Câmara.

O encontro reuniu parlamentares, representantes do setor editorial, da educação, das bibliotecas e de entidades ligadas ao livro e à leitura. A celebração ocorreu em um momento simbólico para o setor, marcado pela retomada das políticas públicas de leitura, pela publicação no Diário Oficial do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e pelo fortalecimento do debate sobre bibliotecas, formação de leitores e acesso democrático ao livro.

Durante a sessão, a deputada Fernanda Melchionna destacou que defender o livro é defender a democracia, a memória e a liberdade de pensamento. Em sua fala, ela lembrou que regimes autoritários historicamente perseguem livros, escritores e bibliotecas, justamente porque reconhecem o poder transformador da leitura. “O livro é esse instrumento assombroso, essa bússola, esse meio de humanização. Celebrar o livro é um ato político, é afirmar que acreditamos no poder das ideias”, afirmou Fernanda.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, ressaltou o papel das bibliotecas como espaços de encontro, acolhimento e circulação livre de ideias. Em sua fala, defendeu que a Biblioteca Nacional pertence ao povo brasileiro e deve refletir a pluralidade do país. “As bibliotecas são trincheiras da democracia. São lugares de encontro, de acolhimento, onde as ideias circulam com liberdade”, afirmou Lucchesi.

Representando o SNEL, Dante Cid chamou atenção para a necessidade de transformar os compromissos do Plano Nacional do Livro e Leitura em ações concretas, com orçamento garantido. Segundo ele, o avanço das políticas públicas depende de continuidade, planejamento e investimento. “O pedido do SNEL é que cada parlamentar garanta espaço no orçamento para essas ações. Texto é maravilhoso e a intenção é espetacular, mas sem alocação orçamentária nada acontece”, afirmou Dante.

Dante também defendeu a preservação do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) como política de Estado e destacou o papel das bibliotecas como ferramenta indispensável para ampliar o acesso ao livro entre as classes C, D e E. “O livro precisa chegar a quem não pode comprá-lo. E, para isso, a biblioteca é um instrumento único e essencial”, reforçou.

Ele criticou a Lei Complementar 224/25, que retirou para 2026 a isenção fiscal dos livros didáticos. Outro projeto em discussão na Câmara (PL 3965/23) transforma o PNLD em lei, garantindo sua obrigatoriedade e perenidade. A proposta estabelece diretrizes para a distribuição gratuita de materiais didáticos e literários.

A importância da leitura na infância foi ressaltada pela diretora-executiva da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Fernanda Garcia. “A criança que tem acesso ao livro e à leitura, o jovem que adota o livro como seu próprio estilo de vida se tornam adultos conscientes do que o Brasil precisa. Esses são cidadãos comprometidos com a cidadania e com a democracia, que nos levarão ao país que tanto sonhamos, mais justo, mais igualitário e mais desenvolvido”, observou.

Comportamento do leitor

A sessão também destacou dados recentes sobre o comportamento leitor no Brasil. Foi lembrado que o perfil dos novos leitores brasileiros tem presença marcante de mulheres negras, da classe C e do Nordeste, revelando a entrada de novos sujeitos culturais no universo do livro. Também foi mencionado o crescimento das comunidades leitoras, com mais de 2 milhões de brasileiros participando de clubes de leitura, além da ampliação dos eventos literários no país.

Segundo os participantes, esse cenário demonstra que o livro segue ocupando um lugar central na vida cultural brasileira, não apenas como fonte de conhecimento, mas também como espaço de identidade, pertencimento, imaginação e transformação social.

*Com informações da Agência Câmara.

[30/04/2026 11:59:21]