
A Bienal do Livro Bahia começa nesta quarta-feira (15), no Centro de Convenções Salvador (Av. Octávio Mangabeira, 5.490, Boca do Rio — Salvador / BA), e vai até a próxima terça-feira (21), feriado nacional. Entre as principais novidades desta edição, estão um aumento de 45% no investimento em vale-livros para estudantes e professores, crescimento da área expositiva em 25%, e a presença de 122 expositores (contra 108 na última edição). Entre editoras que já participaram e estreantes no evento, a consolidação da Bienal do Livro Bahia como um dos principais do país nos últimos anos é um sentimento comum.
"Esse crescimento é algo que nos deixa muito felizes e seguros de que o nosso trabalho está dando certo, e que o mercado tem progressivamente percebido a importância do evento para se conectar ainda mais com o seu público do Nordeste. E podemos falar o mesmo em relação ao público, que vem crescendo a cada edição. Estamos confiantes de que vem aí mais uma edição histórica!”, analisa Tatiana Zaccaro, diretora-geral da GL events Exhibitions, ao PublishNews.
Uma das casas presentes é a Companhia das Letras, que inicia ali as celebrações dos seus 40 anos. A editora preparou dois encontros especiais: uma edição ao vivo da Rádio Companhia, que será um bate-papo entre Socorro Acioli e a editora Stéphanie Roque, sobre a relação entre a trajetória da autora e a história da editora. Pilar del Río, jornalista e presidenta da Fundação José Saramago, responsável pela preservação e difusão do legado do autor, também estará na Bienal.
O Grupo Editorial Record também selecionou um grupo de autores de diferentes gêneros para rodas de debate, atividades e lançamentos de livros inéditos. Entre os livros que chegam ao público durante a Bienal estão Ressalga, romance da premiada Bethânia Pires Amaro, A classe média no espelho, do sociólogo Jessé Souza, Victor Veracruz: Advogado de criaturas e seres mágicos, fantasia premiada da Elisa Barbosa, e Viagens que a gente não faz por agenda, faz por amor, estreia literária de Monique Evelle. Entre outros escritores e escritoras do grupo, estarão na Bienal Carla Akotirene, Carina Rissi, Elayne Baeta e Felipe Cabral.
Pela segunda edição, a Estante Virtual está em Salvador. “Voltar à Bienal reforça a nossa conexão com leitores, escritores e obras de todo o país. Esse relacionamento sempre pautou a história da Estante Virtual e fazer isso através de um evento tão relevante na primeira capital brasileira tem um sabor especial”, diz André Palme, head da empresa. “Aproveitamos o tema deste ano, ‘Bahia: identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo’, para homenagear a cidade em um espaço cheio de vida e referências a essa cultura que tanto contribui para a nossa formação literária.”
Na manhã do dia 18 de abril, às 11h, a EV promove um encontro de fãs da escritora norte-americana Sarah J. Maas, que conquistou o primeiro lugar na lista de best-sellers do New York Times, que será seguido por um sorteio de suas obras, realizado em parceria com a Record. Já às 14h, o público pode encontrar o influenciador digital, Lucas Barros, conhecido por suas resenhas literárias nas redes sociais, nas quais acumula mais de 300 mil seguidores. No dia seguinte, quem aparece no espaço da EV é Karou Escreve, autora e fundadora da Academia de Escritores. Conhecida por suas críticas literárias, a jovem participa de uma troca de livros às 14h — a chance perfeita para desapegar dos títulos que estão parados há anos na estante e garantir novas leituras.
Como uma homenagem à cidade conhecida carinhosamente como “terra da felicidade”, o estande da EV será ambientado com elementos, imagens e cores vibrantes que remetem à Bahia. Quem passar por lá ainda pode testar a sorte e concorrer a mais de mil obras e brindes, como ecobags e marcadores de livros.
Uma das principais novidades desta edição é a chegada do estande Compiladas, cuja primeira versão, na Bienal do Rio 2025, foi um sucesso. Em Salvador, são dezesseis editoras de pequeno porte, reunidas com o objetivo de mostrar o valor da cena editorial independente.
O coletivo é formado por: Arquipélago Editorial, Dublinense (Rio Grande do Sul); Bazar do Tempo, Editora Cobogó, Ímã Editorial, Mórula, Editora Oficina Raquel, Seiva, Tabla (Rio de Janeiro); Editora Ercolano, Editora Fósforo, Lote 42, Nós, Ubu (São Paulo); Relicário (Minas Gerais); e Solisluna (Bahia).
Pelo estande, passarão autores e autoras nacionalmente conhecidos, como Leda Maria Martins, Diane Lima, Bianca Santana, Jorge Augusto e Luciany Aparecida. Todas as editoras são 100% brasileiras e independentes, isto é, não integram nenhum grupo editorial ou econômico. Quase todas as Compiladas foram fundadas no século 21 – a exceção é a baiana Solisluna, com mais de 30 anos de existência. A Solisluna, aliás, é a representante do Nordeste na Compiladas.
Embora torcesse por mais editoras do eixo no coletivo, Valéria Pergentino, sócia-editora da Solisluna, celebra a participação. “A iniciativa é extremamente relevante por reunir editoras independentes de várias regiões do Brasil, com perfis diferentes, mas conectadas pela qualidade de seus catálogos. Em um mercado tão concentrado, essa articulação mostra a força do trabalho coletivo. Para nós, da Solisluna, única editora do Norte e Nordeste no grupo, é especialmente significativo realizar esta edição do Compiladas na Bahia”, destaca.
Comemorando 10 anos de existência, a Ubu estará na Bienal da Bahia pela primeira vez. “O público baiano da Ubu é muito presente e participativo, e esta é uma oportunidade da editora estar mais perto e mostrar as linhas e interconexões do catálogo. O coletivo Compiladas é o que permite que editoras de pequeno porte como a nossa possam estar em eventos fora de São Paulo”, ressalta Florencia Ferrari, diretora editorial da Ubu.

Pelo alto investimento e planejamento, a presença em Bienais é desafiadora. “Após a nossa primeira experiência com as Compiladas no Rio de Janeiro, fico muito satisfeita de que a rota tenha sido direcionada para fora do caminho previsível do sudeste, e espero que esta seja a primeira de muitas incursões pela Bahia e pelo Nordeste”, destaca Maíra Nassif, editora da Relicário.
Editor da Lote 42, João Varella avalia que estar na Bienal do Livro Bahia é uma oportunidade de ouvir o que o leitor baiano tem a dizer: “O livro independente ganha força quando se movimenta. Trazer nossas publicações do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, para Salvador é um intercâmbio cultural necessário para oxigenar a vivência editorial brasileira”.
Para a Mórula, chegar à Bienal da Bahia fazendo parte do coletivo Compiladas, junto com outras editoras tão importantes na circulação do conhecimento e da literatura, tem um significado muito especial. “É a oportunidade de encontrar leitores, dialogar com a produção local e celebrar de perto a força cultural dessa terra tão viva, que move o Brasil. Estamos muito animados!”, celebra Marilia Pereira, editora da casa.
“Participar da Bienal da Bahia ao lado do coletivo Compiladas é a materialização do nosso desejo de promover a circulação de ideias e de trocar com nossos leitores. Um espaço plural como esse fortalece o livro independente e nos permite ampliar o alcance do nosso catálogo”, analisa Roberto Borges, da Editora Ercolano.
A Oficina Raquel também confirma sua participação na Bienal da Bahia com grande entusiasmo: “Levaremos para o evento um recorte do nosso catálogo que dialoga com temas caros à casa, como memória, território e pensamento contemporâneo. Participar da Bienal é, para nós, uma alegria e uma oportunidade de fortalecer encontros em torno da literatura”, afirma Raquel Menezes, publisher da editora.
Outras casas
A Cortez Editora também marca presença com o objetivo de reforçar seu compromisso com a formação de leitores e educadores em todo o país. A casa editorial integra a programação ampliada do evento e seu estande está localizado no espaço C39 do pavilhão ASA A. Com um catálogo consolidado nas áreas de educação, literatura infantil e juvenil, a Cortez Editora chega à bienal com o propósito de dialogar diretamente com um público diverso. “Estar na Bahia é encontrar um leitor que carrega sua identidade com sensibilidade, pertencimento e consciência coletiva, nos conectamos com suas raízes, demandas, história e identidade”, destaca Elaine Nunes, diretora comercial da Cortez.
A Editora Arpillera, reconhecida pela publicação de livros artesanais e sensoriais, montou um estande que convida o público a vivenciar a literatura de forma ampliada. Localizado no D-13, próximo à entrada da Asa B, o espaço reunirá programação literária, sessões de autógrafos e uma proposta imersiva que conecta leitura e experiência sensorial.
Inspirado na ideia de que o livro pode ser vivido com todo o corpo, o estande da Arpillera contará com pequenas estações que estimulam olfato, visão, paladar, tato e audição, criando conexões entre literatura e sensibilidade. A proposta dialoga com o próprio catálogo da editora baiana, conhecido por suas edições artesanais, costuradas manualmente e pensadas como objetos estéticos e táteis.
“Em um momento em que quase tudo se torna digital e acelerado, queremos lembrar que o livro também é matéria, textura, cheiro. Nosso estande foi pensado como um convite para que as pessoas experimentem a literatura com todos os sentidos”, afirma Yara Fers, escritora e editora da Arpillera.
A Editora Malê, que celebra 10 anos de atuação no mercado editorial, chega à sua terceira participação consecutiva, com um estande individual de 48m² (D16, Asa B), onde apresentará um catálogo com mais de 200 títulos, marcado pela valorização de escritoras e escritores negros afro- brasileiros e africanos no Brasil. A editora também integra a programação oficial da Bienal, com autores participando de espaços como Café Literário, Arena Farol e o infantil Portal da Palavra.
"A Malê vem participando da Bienal do Livro Bahia desde o seu retorno, em 2022, e a nossa experiência é de um crescimento de vendas a cada edição, o que refletiu em um investimento maior na ampliação do estande e no aumento de publicação de escritores baianos. Lançaremos, nessa edição, cinco livros de autores de Salvador", revela ao PublishNews o editor Vagner Amaro, chamando atenção para três lançamentos:
A última revolta Malê, HQ de Anderson Shon e Daniel Cesart, que acompanha estudantes da UFBA em um mistério envolvendo Pacífico Licutan, figura histórica da Revolta dos Malês (1835), em Salvador; A menina do cabelo mágico, de Maíra Azevedo, que aborda o legado de personalidades afro-brasileiras como Gilberto Gil, Carolina Maria de Jesus e Abdias do Nascimento; e O portal afrofuturista: as aventuras de Makena no Sankofa Haven, de Claudya Costta, infantil afrofuturista, que homenageia a escritora Conceição Evaristo e a banda Cortejo Afro.
Os outros destaques do estande da Malê são Eliana Alves Cruz, Fábio Kabral, Vanda Machado, Aldri Anunciação e Negafyah. Além disso, o estande contará com uma programação própria de encontros literários e sessões de autógrafos, reunindo autores como Sandra Menezes, Helena Vitória, Joanice Conceição, Cassia Valle, Luciana Palmeira, Estevão Ribeiro, Marcos Cajé, entre outros.
Programação
Outros nomes confirmados na programação oficial da Bienal do Livro Bahia são os escritores Ailton Krenak, Monique Malcher, Andrea del Fuego, Raphael Montes e o músico Chico Chico — o filho de Cássia Eller vai lançar livro pela Ação Editora.
Com o tema Bahia – Identidade que ecoa nos quatro cantos do mundo, o evento quer reforçar a sua posição como principal encontro literário do Nordeste, apostando na diversidade de vozes e na conexão entre a produção local e o cenário internacional.
Um dos eixos centrais desta edição é a curadoria totalmente baiana. O time reúne Josélia Aguiar e Itamar Vieira Junior, no eixo literário; Aldri Anunciação à frente do eixo Cultura além do Livro; Deco Lipe, no eixo Young Adult; Maíra Azevedo (Tia Má), no eixo Atualidades; e Mira Silva, responsável pela programação infantil.
Confira a programação completa no site do evento.
Organizada pela GL events Exhibitions, com apresentação do Ministério da Cultura e do Governo do Estado da Bahia e patrocínio master da Prefeitura de Salvador, a Bienal terá mais de 100 horas de programação — distribuída em três espaços principais (Café Literário, Arena Farol e Espaço Infantil Colgate) — e incluirá debates, encontros com autores, experiências imersivas e atividades para diferentes faixas etárias.
As sessões de autógrafos serão realizadas após os bate-papos, com retirada gratuita de senhas online no site oficial do evento e os ingressos já estão à venda no site oficial, com valores de R$ 33 (inteira) e R$ 16,50 (meia).






