Flipei será no início de agosto, em diversos endereços de São Paulo
PublishNews, Beatriz Sardinha, 04/04/2026
Festival literário independente terá agora programação esportiva e mantém estratégia de programação capilarizada pelo estado

Flipei em 2025 | © tata_noaqui
Flipei em 2025 | © tata_noaqui

A terceira edição solo da Festa Literária Pirata das Editoras Independentes (Flipei) acontecerá entre os dias 5 e 9 de agosto, em diversos endereços da capital paulista (Galpão Elza Soares, Café Colombiano e Sol Y Sombra) e no interior do estado, além de manter estratégia de programação expandida que traz como novidade a inserção do esporte como atração.

Na edição de 2025, a feira recebeu mais de 50 mil pessoas e contou com uma política de descontos de livros ao longo de sua programação. Na época, editoras e expositores contatados pelo PublishNews relataram crescimento expressivo de vendas em relação a participações anteriores na festa pirata. Em 2026, a Flipei foi contemplada pelo PROAC.

Neste ano, a Flipei mantém os endereços de sua edição passada, quando teve que se reorganizar em poucos dias. "Só conseguimos isso devido a capacidade revolucionária dos nossos trabalhadores e a camaradagem desses espaços", afirma Cauê Ameni, para o PN.

O Galpão Cultural Elza Soares, ligado ao MST, o Café Colombiano e o bar Sol y Sombra representam, na visão do organizador do festival, uma estratégia de enfrentamento, pela proximidade da construção do novo centro administrativo do Governo de São Paulo. Ele descreve que a construção tem dificultado a atuação de iniciativas culturais e sociais da região central da cidade, como o Teatro de Contêiner e o Coletivo Tem Sentimento, além da desapropriação e do deslocamento forçado de moradores da Favela do Moinho.

Novidades e detalhes de como será a programação

Flipei em 2025 | © tata_noaqui
Flipei em 2025 | © tata_noaqui

Como novidade para 2026, a Flipei traz o pebolim e o boxe popular em sua programação. Em ano de Copa do Mundo, o pebolim entra em cena como tributo à sua origem rebelde: o jogo foi criado por Alejandro Finisterre, poeta anarquista que lutou na Guerra Civil Espanhola e que, no exílio durante a ditadura franquista, jogou partidas e compartilhou ideais com Che Guevara na Guatemala.

Já a inclusão do boxe popular propõe uma visão de usar a modalidade como ferramenta de autodefesa e cuidado coletivos, reforçando que é preciso estar com a saúde e o treino em dia para enfrentar as opressões. Assim como o corpo que festeja, o corpo que joga e o que luta são extensões diretas do pensamento crítico.

Como parte de sua estratégia de capilarização cultural, a Flipei manteve os Estaleiros Pirata, setor "nômade" da festa, colocadas regiões historicamente afastadas do eixo comercial do mercado editorial. Cauê Ameni destaca que a escolha das cidades do Estaleiro passou por estabelecer o maior número de alianças possíveis com coletivos culturais do interior e litoral paulista, como forma de fortalecer portfólios e redistribuir recursos para fora da capital.

Serão realizadas quatro ações formativas que precedem a Flipei em São Paulo, nas cidades de Sorocaba (09/05), Carapicuíba (06/06), São Carlos (27/06) e Mairiporã (18/07). As programações serão gratuitas, com feiras de livros independentes, oficinas de formação e bate-papos com intercâmbios territoriais.

A edição deste ano mantém a realização do espaço para as infâncias Zona Piratinha com uma programação referenciada na perspectiva indígena e afro-brasileira, acessibilidade para pessoas com deficiência, com área para PCDs, intérpretes de Libras, audiodescrição e uma equipe identificada e preparada para acolher esse público.

Programadores da edição

A programação 2026 será conduzida por um quarteto de vozes que sintetizam a proposta de uma literatura viva, política e de resistência. A equipe contará Cidinha da Silva, escritora e ensaísta premiada com 25 obras publicadas e vasta trajetória como jurada dos principais prêmios literários do país e que já esteve na programação da Flipei; a visão ácida de Jéssica Balbino, jornalista, mestre pela Unicamp e pesquisadora de dissidências e corpos e que já estve em mediações e painéis da Flipei; Pedro Silva, geógrafo e editor da Abertura Editorial,; e a articulação de Marcos Morcego, comunicador político e pesquisador de identidade e território, editor na Revista Clio Operária e um dos fundadores da Abertura Editorial.

Ao longo dos anos, a Flipei reuniu centenas de autora(e)s, artistas e intelectuais como Ailton Krenak, Conceição Evaristo, Silvia Federici, Rita Segato, Nastaja Martins, Zé Celso, Erika Hilton, Jones Manoel, Mckenzie Wark, Vladimir Safatle, Silvia Cusicanqui, Samia Bonfim, Mohamed Omer, KL Jay, Ava Rocha, Dead Fish, Don L, Ilan Pappe, Chavoso da USP, Gregorio Duvivier, Anielle Franco, Guilherme Boulos, Mark Brary, Juliane Furno, José Kobori, Thiago Ávila entre muitos outros — nomes que ajudam a compor a constelação de vozes que atravessa o festival.

Flipei 2026

Data: 5 a 9 de agosto
Locais: Galpão Elza Soares (Alameda Eduardo Prado, 474), Café Colombiano (Alameda Eduardo Prado, 493) e Sol Y Sombra (Rua Treze de Maio, 180)

[04/04/2026 11:59:10]