
O livro percorre décadas de intensa atividade pública e transforma um percurso individual em retrato de uma geração marcada por disputas em torno da liberdade. Aos 82 anos, a autora revisita esse caminho a partir de ideias, encontros e experiências — muitos deles registrados pelas lentes de Miguel Darcy de Oliveira, seu companheiro há mais de cinco décadas.
A publicação também chega ao público com evento no Rio de Janeiro, nesta terça-feira, 24 de março, às 19h, com bate-papo entre Rosiska, Cristina Aragão e Consuelo Dieguez no Estação Net Gávea, seguido de sessão de autógrafos na Janela Livraria do shopping.
Ao longo da obra, emerge um fio condutor que atravessa a sua trajetória: a liberdade em suas múltiplas expressões. A escrita de Rosiska reflete um compromisso contínuo com as liberdades individuais, a luta das mulheres, a defesa da democracia e a valorização do tempo.
“O meu último livro se chama Liberdade e essa palavra sempre teve pra mim um sentido muito encarnado, porque a minha vida inteira tive que lutar pela liberdade e dei a essa causa um sentido existencial, mesmo pagando todos os preços que paguei na época pelas minhas escolhas”, avalia Rosiska no material à imprensa.
Organizada por Cristina Aragão, Maria Celeste Garcia e Izabella Teixeira, a obra articula o acervo iconográfico com trechos da produção literária da autora, incluindo títulos como Elogio da diferença, Pássaro louco, Reengenharia do tempo e Liberdade.

“O principal mérito deste livro é, para além da personagem biografada, no caso eu mesma, oferecer o retrato de uma geração que promoveu grandes transformações. Lendo-o, me dei conta do imenso privilégio que foi nascer nessa geração que veio ao mundo com o horror da Bomba Atômica e do Holocausto, mas que viu surgir a Declaração Universal de Direitos Humanos e que fez da luta pela liberdade — em suas múltiplas faces — um sentido para a vida”, aponta a imortal da ABL.
O projeto gráfico assinado por Eduarda de Aquino reforça o diálogo entre memória e sensibilidade estética, com uma linguagem visual marcada por tons intensos, descritos pela autora como “cores de Pedro Almodóvar”.
Ao longo das páginas, surgem encontros com nomes centrais da vida intelectual brasileira, como Paulo Freire, Darcy Ribeiro e Ruth Cardoso, além da atuação de Rosiska na defesa dos direitos das mulheres.
O livro também recupera textos e entrevistas desde os anos 1980, reunidos no encarte O feminino como crime político, reafirmando temas que seguem no centro do debate contemporâneo, como a violência contra as mulheres e a representatividade feminina. Aliás, ela segue ativa como diretora editorial da Revista Brasileira da Academia Brasileira de Letras.
Ao revisitar décadas de escolhas pessoais, desafios políticos e conquistas intelectuais, Rosiska, uma fotobiografia se apresenta não apenas como o percurso de uma autora, mas como o retrato de uma geração que fez da liberdade, da democracia e dos direitos das mulheres um projeto de vida.






