
A edição atual de O livro no Brasil conta com tradução de Maria da Penha Villalobos, Lólio Lourenço de Oliveira e Geraldo Gerson de Souza. A versão de bolso, em catálogo, tem cerca de mil páginas, e reproduz o texto integral da segunda edição, com algumas correções e atualizações, mas sem as ilustrações, para proporcionar um preço de venda reduzido.
De acordo com a Edusp, trata-se do mais completo panorama histórico da indústria editorial brasileira. "Retrata com precisão, clareza e riqueza de dados estatísticos o desenvolvimento das editoras brasileiras e os problemas econômicos, sociais e políticos que enfrentaram para sobreviver. Oferece um relato minucioso das obras e dos autores publicados pelas editoras comerciais e oficiais, além de tabelas, cronogramas e dados comparativos detalhados sobre população, importação, tarifas, preços, salários, exportação, produção de papel, traduções e comércio livreiro", diz a sinopse da editora.
Segundo a Intercom, "Hallewell é reconhecido internacionalmente como referência nos estudos editoriais. Sua pesquisa se tornou bibliografia fundamental para boa parte das investigações no campo da edição e da história do livro, consolidando sua contribuição como um dos maiores estudiosos britânicos sobre o tema" — diz uma nota publicada nas redes sociais.
Hallewell nasceu em West Ham, na Inglaterra, em 1929, graduou-se pela Universidade de Londres, e depois completou mestrado em biblioteconomia em Kent e de doutorado em estudos literários em Essex. Atuou como bibliotecário responsável pelo acervo latino-americano. Durante esse período, percebeu a ausência de registros sobre o mercado editorial brasileiro e decidiu preencher a lacuna.
Em uma entrevista publicada em outubro de 2024 na revista Eco-Pós, vinculada ao curso de Comunicação e Cultura da Escola de Comunicação da Universidade do Rio de Janeiro (Eco-UFRJ), o autor contou como conseguiu reunir tantas informações: "Tive de contatar vários editores, escritores e outras figuras da indústria editorial no Brasil. Também muitas bibliotecas no Brasil e alhures. Para a história da impressão em geral, devo tudo a Roy Stokes, meu primeiro professor do assunto na escola de Biblioteconomia, na Inglaterra. Sobre a indústria de edição em geral e sobre o processo de seleção de manuscritos e sua comercialização, meu professor do assunto, Ronald Benge, foi inspiração fundamental", disse. Para ele, a qualidade física do "produto livro" sempre foi muito superior em comparação aos pares da América Latina.
Questionado sobre que atualização faria atualmente no livro, ele menciona a revolução eletrônica. Na sua visão, para formar uma nação de leitores, "é importante que a cultura se transforme, numa direção verdadeiramente liberal, longe de uma velha tradição autoritária".






