
“Ser nomeado para a Academia Valinhense de Letras significa honrar a memória dos meus velhos, dos meus amados avós, a quem dediquei Sol & chifre, lançado pela Patuá em 2025. Encaro essa jornada com muita responsabilidade social. Vivemos em um país com mais de 9 milhões de pessoas em condição de analfabetismo funcional, e espero poder ser um aliado no fomento à leitura, na divulgação da literatura e na preservação e incentivo à literatura brasileira", diz o escritor ao PublishNews.
Radicado em Valinhos há cinco anos, Fabson foi escolhido após processo estatutário que incluiu inscrição de candidatos, votação secreta e decisão colegiada dos acadêmicos. Ele ocupará a cadeira 39, cujo patrono é Roque Palácio, referência histórica da cultura local. "Roque foi um comunicador e artista com um olhar muito fincado nas pessoas, especialmente nos idosos", explica Fabson. Foi apresentador na TV Bandeirantes, diretor teatral, escultor, carnavalesco e uma figura marcante da Festa do Figo, tradicional da região.

Neto de avós analfabetos, o autor teve sua formação marcada pelo jornalismo e pela literatura como ferramentas de observação social. Graduando em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), foi o primeiro de sua família a ingressar em uma universidade federal e atuou como repórter no Diário de Pernambuco, experiência que definiu a sua escrita.
“Venho de uma família muito simples, em que o acesso à educação era uma barreira muito grande. Eram operários, empregadas domésticas, cuidadoras do lar, gente que trabalhava com a terra. Meus avós, inspiradores para mim, mal sabiam escrever os próprios nomes. Tenho lembranças muito marcantes de ensinar minha avó paterna a escrever. Eu tinha um quadro de lousa branca e ensinava ela a ler, a escrever, a juntar as palavras. Meus pais estudaram a duras penas, conciliando com trabalho”, recorda o jovem autor.






