A Feira do Livro homenageia Dona Rosinha após morte da autora, aos 67 anos
PublishNews, Redação, 08/06/2026
Dona Rosinha também estaria na programação do Festival Literário Internacional de Minas Gerais, que fará outra homenagem à autora de Itabira essa semana

Do dia em que Dona Rosinha conheceu Conceição Evaristo © Kevem Willian
Do dia em que Dona Rosinha conheceu Conceição Evaristo © Kevem Willian
A escritora, ativista quilombola e liderança comunitária Rosemary Alvares de Souza, conhecida como Dona Rosinha, 67 anos, morreu na última quinta-feira (4), em Itabira (MG), às vésperas de participar de dois eventos literários, em São Paulo e Minas Gerais. Em 2025, ela publicou o livro Memórias do meu quilombo (Pallas Editora) por incentivo da escritora Conceição Evaristo. Nele, Dona Rosinha registrou as lembranças e histórias vividas no Quilombo Santo Antônio, comunidade onde viveu e atuou por décadas em defesa dos direitos de seu povo.

A autora foi homenageada pel'A Feira do Livro nesta manhã de domingo, 7 de junho. O editor Paulo Werneck convidou Tom Farias e Matheus Letão a se juntarem à Bianca Santana a fim de celebrar a sua passagem por este mundo. Ela também estaria na programação do Festival Literário Internacional de Minas Gerais (FliMinas), que fará outra homenagem.

Nascida em Belo Horizonte, em 29 de março de 1959, Dona Rosinha foi criada por sua tia, Dona Tita, matriarca do Quilombo Santo Antônio. Ao longo da vida, tornou-se uma liderança na comunidade, exercendo por dois mandatos a presidência da Associação do Quilombo Santo Antônio e da Interassociação dos Amigos de Bairros de Itabira. Também integrou a rede nacional de enfrentamento à violência contra mulheres e foi conselheira da sociedade civil no município por cerca de 12 anos.

A escrita acompanhou a rotina de Dona Rosinha desde a juventude. Em depoimentos e entrevistas, costumava dizer que registrava no papel tanto os momentos de tristeza quanto os de alegria. Foram décadas de anotações reunidas em cadernos que, mais tarde, dariam origem ao seu único livro. Teve pouco tempo para curtir o novo ofício, ela que trabalhou como faxineira, vendedora e balconista.

A carreira nas letras ganhou impulso em 2023, quando Conceição a conheceu em uma visita que fez ao Quilombo Santo Antônio — ação do Festival Literário Internacional de Itabira (Flitabira). Impactada pela força narrativa daquele material inédito, Conceição o apresentou à editora Cristina Warth, e prometeu um prefácio ao livro, que um texto assinado por Fabiano Piúba, do Minc.

Para Conceição, Dona Rosinha é "estrela-guia"

Ao comentar a morte da autora, Conceição Evaristo destacou o seu legado: “Dona Rosinha se foi e nos deixa seu texto-vida. A sua boa prosa. O seu olhar, o seu sorriso, a sua alegria ao ver publicado o seu primeiro livro. Ela estava plena; de letras, de escrita, de palavras, de vida. Hoje vivemos a descendência dela e, com certeza, como ancestral, ela será para quem fica uma estrela-guia”, disse, em nota divulgada pela Pallas.

Memórias do meu quilombo apresentou aos leitores uma narrativa feita sobre as memórias da autora tardia, entrelaçando história familiar, ancestralidade, resistência e pertencimento. Com o livro em mãos, Dona Rosinha passou a ser convidada para participar de eventos literários e debates sobre literatura, memória e cultura quilombola.

Viúva, Dona Rosinha deixa um filho, Vinícios Souza, uma neta, Ana Luiza, e este livro, testemunha de sua história.

[08/06/2026 10:43:12]