
Entre os 97 milhões de adultos alfabetizados no México, 18,5% adquiriu pelo menos um livro no últimos 12 meses, o que equivale a 18,1 milhões de compradores – a porcentagem é superior à do Brasil (16%, segundo o Panorama, mas o número absoluto é maior por aqui).
O perfil do comprador mexicano mostra uma distribuição equilibrada entre os gêneros, com homens e mulheres participando de maneira praticamente igual (no Brasil, a participação feminina é proporcionalmente maior), e, por idade, os grupos entre 25 e 44 anos lideram as compras, seguidos pelos jovens de 18 a 24. Em relação à classe socioeconômica, os segmentos A/B representam 15% dos compradores, a classe C 52,9%, e as classes D/E 32,9%, ilustrando, segundo a Nielsen, que os estratos sociais médios foram os que mais compraram livros no último ano.
Esta pesquisa marca um avanço importante não só para o setor editorial do México, mas também para a indústria livreira latino-americana, historicamente carente de dados estruturados. Esse tipo de material é fundamental para que diferentes mercados possam se comparar uns com os outros, identificando lacunas e promovendo melhorias.
"Com este estudo, México e Brasil passam a concentrar a maior base de dados sobre o mercado editorial na América Latina, representando um avanço significativo para uma região historicamente carente de informações", afirma Luiz Gaspar, diretor de pesquisas da Nielsen BookData. "No México, o percentual de consumo (18,5%) supera o registrado no Brasil (16%). Entretanto, em termos absolutos, o mercado brasileiro é maior em volume e valor devido à dimensão populacional. É relevante observar tanto as semelhanças entre os dois mercados — como a importância da classe média — quanto as diferenças, como a relação entre consumo e gênero: no Brasil, trata-se de uma variável-chave, enquanto no México não apresenta o mesmo peso. Iniciativas como esta reforçam nosso compromisso de fomentar uma cultura orientada por dados e contribuir ativamente para o desenvolvimento da cadeia do livro na América Latina."
Preferências e motivações
O estudo aponta que 48% dos consumidores no México preferem livros de não ficção, contra 28% que preferem ficção adulta; livros de literatura infantil e juvenil e livros técnicos/didáticos representam 17% e 7% das preferências.
Os principais fatores de decisão para a compra são conteúdo e tema (62%), título (42%) e autor ou autora (37%). Na experiência de compra presencial, 38% se orienta pelo preço, 16% pela exibição nas vitrines e 10% pela organização interna da loja.
Sobre recomendações, em primeiro lugar aparecem família e amigos (17%), em seguida críticos literários (10%) e 9% como leituras obrigatórias.
Digital
Em relação ao formato, a preferência é o impresso (78,6%), seguido pelo e-book (16,6%) e pelos audiolivros (4,8%) – números semelhantes aos brasileiros. As principais motivações incluem o preço justo, o prazer de ler e o desenvolvimento pessoal e profissional.
Assim como o equivalente brasileiro, o estudo identifica barreiras como a percepção de preços altos (especialmente para livros didáticos e profissionais), a falta de tempo e a ausência de livrarias nas proximidades. 15 milhões de pessoas que não compraram livros no México no último ano disseram ter baixado livros digitais gratuitos – uma demanda reprimida para o mercado.
"Mapear o consumidor e entender seus hábitos comparativamente com outros mercados é fundamental para desenhar estratégias efetivas", complementa Luiz Gaspar. "Esse estudo nos permite ver onde estão as oportunidades e como podemos nos conectar melhor com quem já compra e com quem ainda não compra livros".
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