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Romance de ficção científica põe em perspectiva preconceitos e estereótipos dos dias atuais
PublishNews, Redação, 07/05/2025
Em 'Filhas de Gaia', de Linei Matz, classificado no Prêmio Maria Carolina de Jesus, a autora discute questões que persistem como força de reação de um sistema predatório milenar, essencialmente masculino

Uma sociedade mais feminina, como defende o sociólogo italiano Domenico de Masi em sua obra Ócio criativo (Sextante), seria eficaz para reverter os danos ao meio ambiente e evitar conflitos entre grupos e países, pelos quais o mundo moderno passa?

Em Filhas de Gaia, de Linei Matz, classificado no Prêmio Maria Carolina de Jesus, a autora usa a ficção científica para pôr em perspectiva inúmeros preconceitos e estereótipos dos dias atuais que, na visão dela e de outras autoras e autores, persistem como força de reação de um sistema predatório milenar, essencialmente masculino, que prega a necessidade de explorar tanto recursos naturais quanto pessoas para se manter próspero economicamente.

Ao longo de suas mais de duzentas páginas, divididas em duas partes de treze capítulos cada, as personagens vivem o dia a dia do constante trabalho de adaptação de um pequeno exoplaneta, Gaia, em sua luta para manter uma sociedade cientificista que valoriza a cooperação e o bem comum. Por conta de uma mutação genética, poucos homens nascem no planeta, fato que se reflete na língua, sempre no feminino quando a escolha for possível.

O resultado de um reinício, sem a propriedade privada e sem a necessidade da conquista de territórios, é uma sociedade pacífica na qual predomina o senso de interdependência e o valor inquestionável do feminino, o que se estende a todos os habitantes do planeta, sem exceção.

Todos devem ter voz e podem viver da forma que escolherem, desde que sigam as regras de preservação e cultivo da natureza. Afinal, os seres humanos sempre foram parte da natureza, no livro representada pela Grande Deusa. Sua separação artificial dela para explorá-la, só causa problemas e dor.

É com essa mentalidade que as habitantes de Gaia educam suas crianças e deliberam sobre as questões do dia a dia da forma mais harmoniosa e inclusiva possível. Mesmo com um pequeno grupo de homens que discordam dessa mentalidade e se retiram para a Floresta Der Rebellen como forma de protesto, o Vale do Norte e seus arredores conseguem levar uma vida relativamente estável.

O grande conflito da história acontece quando essa estabilidade social é posta em xeque por visitantes do Planeta Original, ou "estrangeiras", que chegam ao vale e tentam convencer as Filhas de Gaia de que o ranço patriarcal e predatório trazido por sua sociedade decadente ainda é a melhor opção.

A linguagem poética da obra a torna uma leitura agradável, cujo público-alvo são amantes da literatura de ficção científica, de fantasia e da grande literatura a partir de doze anos de idade. Ela conversa com textos como Terra delas (várias editoras), de Charlote Perkins Gilman; A criação do patriarcado (Cultrix), de Gerda Lerner; O renascimento da Deusa (Goya), de Carol P. Christ, A floresta escura (Suma), de Cixin Liu; Lilith’s Brood, de Octavia Butler, entre outros.

Uma história muito bem amarrada, com um início impactante e que só faz crescer a vontade de virar a página para descobrir o que acontece em seguida. Além de entreter, ela também faz pensar sobre como poderíamos viver de forma mais harmoniosa e respeitosa com nossos corpos e com as pessoas ao redor.

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