
Em outra nota, Ancelmo informou que em outubro chega às livrarias um retrato biográfico da grande artista Tarsila do Amaral (1886-1973), feito pela historiadora Mary del Priore e editado pela José Olympio. Tarsila: uma vida amarga e doce conta que ela procurou o médium Chico Xavier em busca de conforto espiritual. Como forma de pagamento pelas consultas, a artista ofereceu suas pinturas.
O Globo também trouxe entrevista com americana Donna Haraway, professora da Universidade da Califórnia, que em 1985 borrou as fronteiras entre filosofia e cultura pop ao publicar Manifesto ciborgue, um livro de protesto da esquerda, à época atordoada toda pela revolução conservadora de Ronald Reagan e Margaret Thatcher. No ano passado, chegou ao Brasil O manifesto das espécies companheiras, pela Bazar do Tempo. Em agosto deste ano, a Ubu lançou Quando as espécies se encontram, no qual a filósofa e bióloga expande suas reflexões sobre a transformação dos animais em mercadorias e fala também sobre feminino, raça e classe. Na entrevista, ela diz que a apropriação dos laços de afeto dos humanos com os animais por uma cultura mediada pela mercadoria é uma distorção escandalosa do que significa viver junto. Sobre o comentário do Papa Francisco, que chamou de egoísta quem prefere adotar um pet a ter um filho, a autora diz que o pontífice foi ignorante nesse comentário. “Ele defende o aumento da natalidade humana, o que é desastroso para o planeta e para os direitos reprodutivos das mulheres.”
Na Folha, na coluna Painel das Letras, Walter Porto informou que Annie Ernaux terá um filme na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O documentário Os anos do super 8 tem assinatura da escritora francesa que experimenta agora um bom momento de popularidade no Brasil, com a boa repercussão do livro O acontecimento (Fósforo). Ela dirigiu o documentário com o filho, David Earnaux-Briot. O filme estreou no último Festival de Cannes e justapõe filmagens de arquivo feitas pela família Ernaux entre 1978 e 1981. A Fósforo acaba de pôr na praça A vergonha, quarto livro da escritora editado no Brasil em menos de dois anos, e vai trazer ainda, antes da Flip, O jovem, romance sobre o envolvimento da autora com um homem 30 anos mais novo. Annie Ernaux virá para a Flip.
A Folha publicou também texto de Marilene Felinto sobre A bastarda, livro de Violette Leduc (1907-1972), em que a autora destrincha a condição feminina a partir de sua turbulenta história amorosa com Simone de Beauvoir (1908-1986). Para além do desprezo e do assédio materno dos quais Violette foi vítima, o livro lançado em 1964 descreve os detalhes da sua vida amorosa, seus relacionamentos com mulheres, suas paixões por homens homossexuais, bem como sua batalha pessoal para se tornar uma escritora reconhecida e para superar um complexo de feiura física e insegurança quanto à sua sexualidade. O livro sai pela Bazar do Tempo e tem prefácio de Simone de Beauvoir.
O Valor entrevistou o teórico da mídia americano Steven Johnson autor de Longevidade: uma breve história de como e porque vivemos mais (Zahar). Para o autor, que esteve no Brasil para participar da série de palestras Fronteiras do Pensamento, a história mais extraordinária da humanidade não é de um império nem os descobrimentos nem a corrida espacial. Para ele, é o processo pelo qual, ao longo de dois séculos, a expectativa de vida da humanidade dobrou. É como se cada pessoa tivesse direito a uma vida extra ao nascer, esperando viver cerca de 80 anos e não 40, como era até o século 18. Johnson é autor de vários best-sellers, entre eles De onde vem as boas ideias (Zahar).
O Valor falou também de Africano: uma introdução ao continente (Record), do geógrafo Kauê Lopes dos Santos, pesquisador da USP. Um “afro-otimismo” é o principal fio condutor do livro. Mais do que um contraste, os dados socioeconômicos preocupantes do continente compõem boa parte do alimento desse otimismo. Na condição de última fronteira econômica, território com a demografia mais jovem do planeta e notável disponibilidade para investimentos com alto retorno, a África se apresenta como um recipiente privilegiado de investimentos estrangeiros e da atenção geopolítica das próximas décadas.






