Reciclagem profissional e treinamento em Buenos Aires
PublishNews, Ricardo Costa, 17/04/2012
Jornada profissional é ponto forte da feira que acontece na capital argentina

A Feira do Livro de Buenos Aires se inicia todos os anos com três a quatro dias dedicados exclusivamente aos profissionais do livro. É um tempo para reciclagem, treinamentos, networking, negócios e, por que não, alguma diversão entre colegas. O ano de 2012 não será diferente. Ontem, 16, a feira foi aberta com a jornada profissional, que oferece capacitação para vários elos da cadeia produtiva do livro.

Durante todo o dia, aconteceu o Seminário Internacional Tendências 2012. Fernando Zambra, que na consultoria PROMAGE é o diretor do estudo “Observatorio de la Industria Editorial”, fez uma análise dos dados disponíveis sobre o mercado editorial argentino que, segundo pesquisa referente ao ano de 2010, faturou U$ 540 milhões com a venda de 47 milhões de exemplares.

Depois, ocorreu uma mesa onde profissionais de diferentes elos da cadeia – da Argentina, México e Brasil – falaram de suas experiências profissionais e respectivos mercados. Javier López Llovet (Random House Mondadori, Argentina) destacou a velocidade das mudanças provocadas pelo mundo digital e a necessidade urgente de agir em relação a elas: “Podemos ter três atitudes em relação ao livro digital (e tudo relacionado a ele): ignorar, combater ou odiar; mas ele já é uma realidade e será cada dia mais forte”.

Roberto Chwat, presidente da argentina Sigmar, uma grande editora do país, destacou a familiaridade das novas gerações com as novas tecnologias. “Temos que reconhecer que esta geração é diferente do que estamos acostumados. Quando pensamos no ato de ler um livro, temos a imagem de uma pessoa sentada num lugar calmo, com três horas para se concentrar na leitura. A nova geração lê o livro, conversa no MSN, vê um vídeo no YouTube, ‘tuíta’... e sem se perder entre as várias janelas abertas no seu aparelho. É uma geração multitarefa. Como vamos produzir para eles, que dentro de cinco anos se aproximam já da fase adulta?”

Ricardo Nudelman, gerente geral do Fondo de Cultura Económica do México, fez uma análise geral do mercado editorial mexicano, destacando que fora dos grandes centros urbanos – três ou quatro cidades – o acesso ao livro em seu país é bastante precário.

Lucia Riff, agente literária fundadora e diretora da Agência Riff, foi a representante tupiniquim na mesa. É certo que o Brasil é a bola da vez no cenário econômico mundial, e Lucia foi convidada pela feira para dar um panorama geral do mercado do livro nesse contexto. A informação de que editoras internacionais estão se estabelecendo no Brasil cada vez em maior número foi a grande notícia para o público, que logo questionou se havia uma política de governo que limitasse o percentual de participação de uma empresa estrangeira em uma editora brasileira.

A mesa se encerrou com uma rodada de perguntas pelo mediador e pelo público que precisou ser interrompida para que se desse um ponto final ao debate. É fato que os mercados externos são sempre um assunto atraente em qualquer evento relacionado a negócios no mercado do livro.

O congresso foi finalizado com uma mesa que poderia ser traduzida como “Experiências de gente que faz”, onde quatro profissionais de editoras e livrarias da Argentina, Uruguai e Espanha dividiram com o público suas experiências profissionais.

A feira mantém uma equipe de especialistas trabalhando o ano todo para ouvir e avaliar comentários, sugestões, pedidos e avaliações que são enviadas pelos profissionais do livro sobre temas e treinamentos em que estariam interessados em participar. A comissão, com base nessa comunicação com os profissionais, planejou para este ano uma jornada profissional focada em duas necessidades centrais: “fornecer ferramentas para entender o contexto econômico e social no qual a indústria editorial hispano-americana está inserida nos próximos anos; e discutir as práticas diárias que envolvem todo o processo editorial – edição, produção, distribuição – afetadas por um contexto de fortes mudanças tecnológicas”, explica a organização.

[17/04/2012 00:00:00]