O dia começou cedo na histórica Ouro Preto, com a conferência de Paulo Henriques Britto sobre uma das estrelas do Fórum das Letras 2011, a poeta Elizabeth Bishop - que viveu na cidade por vários anos. Mas o Fórum procura se caracterizar não só pelo seu aspecto literário, como também pela sua pluralidade. A sexta-feira teve ainda três aberturas de exposições, Fórum das Letrinhas, Congresso Internacional, Sessão de Cinema Petrobras e finalizou com o debate "O escritor escreve a partir de onde e para quem?", com os portugueses Lídia Jorge e Álamo Oliveira, e a brasileira Adriana Lunardi, mediados por Ana Bulhões; e com os amigos de Bishop, Linda e José Alberto Nemer, Lloyd Schwartz e Ricardo Stemberg contando histórias da vida e da convivência com Elizabeth Bishop, estimulados pelas perguntas da mediadora Maria Clara Galery.
No debate sobre origens e destinatários de suas escritas, os escritores foram similares nas origens, mas diversos nos destinatários. A origem tem muito a ver com família, criação e cultura. Lídia Jorge contou que começou a escrever muito cedo: "o que me levou a isso foi o desejo de contar a história da minha família. Meu bisavô era um homem pobre, mas muitas vezes deixava de comprar comida pra levar um livro novo pra casa. E por isso minha bisavó odiava os livros." Dois dias depois da morte do bisavô, sua bisa estava queimando os livros numa fogueira em frente à casa em que moravam. Uma tia salvou uma caixa e a deu a Lídia.
Álamo, o escritor português, disse que escrevia para dar voz ao seu povo. Já a brasileira Adriana contou que começou a escrever para chamar a atenção de seu pai. "Ele ficava lá sentado com uma máquina de escrever à sua frente e a estante de livros, cuidadosamente organizada em ordem alfabética por autores, às suas costas. Ele sempre dava mais atenção aos livros do que a mim e a meus irmãos." Adriana achava que os livros deveriam ter algo importante demais, para seu pai dar a eles tão maior atenção do que a ela. E decidiu escrever para ter direito à mesma atenção.
Já quanto aos destinatários, Lídia aceita que os escritores escrevem porque querem estar em outros lugares; ou porque o mundo é mais do que onde o escritor existe e vive. "O mundo é mais do que vemos. Escrevemos para expandir."
Adriana vê que "o leitor é um duplo da gente (do escritor)." Ela contou que escreve para o leitor naquele momento em que ele se sente só, desajustado, fora do mundo onde vive.
O dia encerrou com a abertura oficial do Fórum, com uma leitura dramática de texto de Elizabeth Bishop e uma sessão solene de agradecimentos a apoiadores e patrocinadores.






