A pata da gazela à la Glauco Mattoso
PublishNews, 15/12/2005
Conhecido por sua vasta antologia poética, o escritor Glauco Mattoso publica seu primeiro romance, A planta da donzela (Lamparina, 224 pp., R$ 28). Explora a vertente fetichista de José de Alencar, um dos grandes nomes do Romantismo nacional, esmiuçada na pesquisa histórica sobre o perímetro urbano e os costumes do Rio de Janeiro - na época, Corte imperial-, a partir da releitura e reescritura d'A pata da gazela. À primeira vista, a união do grande nome do romance de folhetins e perfis de mulheres no Brasil do século XIX com um dos grandes representantes da literatura contemporânea nacional pode causar estranhamento, logo explicado pelo objeto de desejo de ambos: o pé. Glauco Mattoso faz mais que uma paródia, cria uma composição de referências literárias do século XIX, com citações diretas ou indiretas de autores clássicos do Romantismo, como o poeta Álvares de Azevedo. O professor de literatura brasileira da Uerj Italo Moriconi comenta na orelha outro viés do livro, o resultado da fantasia sadomasoquista do autor, debruçada no texto de Alencar: "O leitor acompanha a narrativa com a respiração suspensa. E olhe: haja fôlego para encarar o final de frente. É assim que o cego pode fazer ver". Em A planta da donzela, Glauco Mattoso investe magistralmente na filosofia do pastiche literário, realizando um passeio pela estilística de Alencar e de outros homens de letras dos Oitocentos.
[15/12/2005 01:00:00]