Literatura, incluir ou não incluir?
PublishNews, 23/11/2004
Após o discurso e a retirada de cena de Gilberto Gil no encontro que o mercado editorial teve ontem, 22 de novembro, com representantes do MinC em São Paulo, o microfone foi aberto a manifestações. Destacaram-se as observações de Angel Bojadsen, presidente da Libre, sobre o BNDES. Ele lembrou que a instituição não possui programas de crédito acessíveis para pequenas e médias editoras. "Como podemos, editores pequenos e médios, ser contemplados com linhas de crédito? Queremos articular isso", manifestou-se o editor. Outro destaque foi a entrega do manifesto "Temos Fome de Literatura", assinado por cerca de 170 escritores - entre eles João Gilberto Noll, Moacyr Scliar, Ferréz e Sérgio Sant'Anna. A entrega do documento coube a Ademir Assunção, que ressaltou alguns pontos das reinvindicações. "Uma parte ainda descoberta é a área de fomentação da criação literária", afirmou o escritor araraquarense, que também defendeu a inclusão da palavra "literatura" nos próprios nomes do Programa Nacional do Livro e Leitura e da futura câmara setorial. Segundo ele, o livro é o produto e a arte, que "não pode ser esquecida", é a literatura. "Não há câmara de CD, mas de música. Não há câmara de espetáculo teatral, mas de artes cênicas", afirmou Assunção ao defender seu ponto de vista. Minutos mais tarde, no entanto, o escritor best-seller Pedro Bandeira tomou o microfone para falar apenas "em seu nome" e, com a ressalva de que acha válidas as iniciativas de apoio aos escritores, declarou: "Discordo que se mude o nome do programa. A palavra 'livro' engloba tudo o que queremos. O que está dentro do livro cabe ao leitor descobrir."
[23/11/2004 01:00:00]