No escurinho do cinema
PublishNews, 23/11/2004
O edifício localizado no número 207 do Largo Senador Raul Cardoso, em São Paulo, já teve diversas utilidades. De 1887 a 1927, por exemplo, foi lá que funcionou o Matadouro Municipal, que provia a cidade de carne. Em 1988, inaugurou-se ali a Cinemateca Brasileira. Já ontem, 22 de novembro, o local abrigou representantes de toda a cadeia produtiva do livro que tiveram um encontro com o ministro da Cultura Gilberto Gil para apresentar e discutir idéias relacionadas ao Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e à Câmara Setorial que o livro ganhará em breve. Os 105 lugares da sala de projeção da Cinemateca foram insuficientes para o número de pessoas presentes e muitos ficaram em pé. À meia-luz, a reunião começou às 16h40 com falas de Galeno Amorim, coordenador do PNLL, e Pedro Corrêa do Lago, presidente da Fundação Biblioteca Nacional (FBN), que compunham a mesa junto com o ministro. Amorim destacou o caráter de permanência do PNLL. "Queremos fazer um planejamento que culmine em 2022, no bicentenário da Independência", declarou. Corrêa do Lago, por sua vez, trouxe uma boa notícia para os contemplados pelo programa de compras para Biblioteca outrora chamado de Fome de Livro, atualmente Livro Aberto. "Tivemos liberação dos recursos do Fome de Livro na semana passada", informou o presidente da FBN. Segundo ele, pretende-se agora comprar os 130 primeiros títulos do programa. No ano que vem seriam comprados mais 400 ou 500 títulos e o restante necessário para zerar os municípios sem biblioteca - cerca de 1.300 - seria adquirido em 2006. Após as breves declarações, representantes do setor entregaram documentos com suas sugestões para PNLL e para a câmara setorial. Oswaldo Siciliano representou os editores, Luiz Antônio Aguiar falou pelos escritores, Márcia Rossetto pelos bibliotecários e Maria Antonieta da Cunha pelas universidades. Em seguida, dentro de seu rebuscado discurso, Gil fez questão de comentar a demissão de Carlos Lessa da presidência do BNDES. "Algumas semanas atrás, Lessa procurou o MinC para apresentar uma proposta de bibliotecas populares de inclusão social. Ele já estava até trabalhando na obtenção de recursos," informou o ministro-cantor. "Encontrei-me com Lessa [após sua demissão] e ele reiterou que mantivéssemos esta criança no colo. O MinC não poupará esforços para que esta política [do BNDES] seja mantida. Quero deixar de público este compromisso de carregar este menino no colo", finalizou.