Censura e ditadura
PublishNews, 09/11/2004
Em um momento em que o tema censura volta a se tornar atual - com a proposta de criação de um Conselho Federal de Jornalismo - e em que também vem à tona o triste assassinato dê Vladimir Herzog, provocando furor nos meios militares, é importante e oportuno atentar para o lançamento de Jornalismo de Guerrilha - A imprensa alternativa brasileira da ditadura à internet (Disal, 160 pp., R$ 36), do jornalista Rivaldo Chinem. O livro é uma grande reportagem sobre um momento muito particular de nossa história recente (1964-1985), em que a chamada "imprensa alternativa" ou "nanica" desempenhou um papel fundamental, tanto como meio de informação sobre o que de fato ocorria no país - cuja divulgação a ditadura procurava abafar a ferro e fogo -, quanto como forma de contestação a essa mesma ditadura. Seu autor narra os fatos da perspectiva privilegiada de quem deles participou, pois foi ele mesmo um dos atores desse enredo épico. Jornalismo de Guerrilha apresenta um panorama sintético e abrangente da história de cerca de 300 periódicos que nasceram e morreram entre 1964 e 1980, e se caracterizaram pela oposição intransigente ao regime militar, denunciando a tortura e a violação dos direitos humanos e criticando o modelo econômico.
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