Jonsson não acredita em bruxas
PublishNews, 29/10/2004
Um dos maiores épicos da literatura islandesa, Gente independente (Globo, 680 pp., R$ 65) conta a saga.de Gudhbjartur Jonsson, camponês que, após trabalhar dezoito anos para o intendente de Myri, consegue dar entrada na compra de seu próprio terreno e se livra da servidão, tornando-se proprietário da Casa Estival. No espaço recém-adquirido ele passa a viver com Rósa, sua esposa, que teme as lendas sobre possíveis assombrações que infernizam a vida dos moradores do lugar: segundo as mais antigas crônicas do país, o território que eles habitam é assombrado pelos fantasmas de Kólumkilli – feiticeiro de grande reputação e líder dos irlandeses que conquistaram a região no passado - e de Gunnvör, mulher-vampira que ali morara anos antes da construção da Casa Estival. Turrão, Jonsson se mantém alheio às crendices e luta por sua independência. Sua determinação é posta à prova quando o Rósa morre - após dar à luz uma menina cuja paternidade é duvidosa. Firme em seus propósitos, o camponês faz com que o bebê sobreviva, suplanta a viuvez precoce com uma segunda união e supera as inúmeras dificuldades que se seguem, das intempéries climáticas às dívidas que contrai. Como a natureza e seu desejo de auto-suficiência o impelem a manter-se um homem rude, é somente a relação com Ásta Sóllilja,- a suposta filha de seu primeiro casamento, que conseguirá quebrar, os paradigmas do arcaico Jonsson, mesmo após uma vida inteira de lutas e desafios. Originalmente publicado em 1932, a obra rendeu ao autor, o islandês Halldór Laxness, o Prêmio Nobel de Literatura de 1955.
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