Menina moça
PublishNews, 27/10/2004
É tênue a fronteira entre a realidade e a fantasia na literatura de Livia Garcia-Roza. Muitas vezes a narração vem na voz de crianças, quase adolescentes, que vêem com olhos de conto de fadas: é a casa que chora, o homem com cara de cachorro e um mundo que, mesmo entre lágrimas, pode se tornar mais divertido. Com este olhar, a autora transita pelo universo de filhos de pais separados ou da menina-mocinha que ainda tem no quarto bichos de pelúcia ao mesmo tempo em que sonha com o beijo de um menino. Em A palavra que veio do sul (Record, 208 pp., R$ 28,90), a autora confirma o seu talento para criar uma trama envolvendo as surpresas, os espantos e as dores do crescimento, num tempo de instabilidade que atinge a instituição da família. Na obra, Livia conta a história de Leninha, dos cinco anos de idade ao começo da juventude. Através da menina, a autora dá voz ao amadurecimento problemático e delicado dos jovens e constrói um retrato inteligente e poético dos atuais valores da sociedade e das relações entre pais e filhos.
[27/10/2004 00:00:00]