Plano quase perfeito
PublishNews, 15/10/2004
Em abril de 2002, o presidente aos Estados Unidos, George W. Bush, disse a um repórter que o interpelava sobre o Iraque: "Não tenho em minha mesa nenhum plano de ataque". Não era bem verdade. Seis meses antes, passados apenas 72 dias dos ataques de 11 de setembro de 2001, Bush havia pedido ao secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, que analisasse, em segredo, os planos para uma guerra contra o Iraque. A revelação de que a invasão de março de 2003 começou a ser arquitetada pouco depois do início da guerra contra o Afeganistão é só um das inúmeras feitas pelo jornalista Bob Woodward em Plano de ataque (Globo, 456 pp., R$ 48). Trata-se de um livro-reportagem sobre o que sustentou a decisão dos EUA de atacar o Iraque. Entre descrições detalhadas dos planos militares e estratégicos para a guerra salta aos olhos o grande erro dos EUA: subestimar as dificuldades do pós-guerra. O que ninguém imaginava, segundo Woodward, era que os combates mais mortíferos – em que já morreram mais de mil soldados norte-americanos – ainda estariam a todo vapor um ano e meio depois do primeiro bombardeio.
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