Romance de Elie Wisel aborda a temática do exílio
PublishNews, 13/08/2004
Premiado com o Prêmio Nobel da Paz em 1986, Elie Wisel, apresenta em O Tempo dos Desenraizados (Record, 320 pp, R$ 39,90), seu quadragésimo livro, um personagem fascinante: Gamliel Friedman. Criado na Hungria, exilado nos Estados Unidos, ghost writer de escritores sem talento, amante das palavras, Gamliel é um homem desencantado no crepúsculo de sua vida. Quando criança, para escapar dos fascistas húngaros, Gamliel foi separado dos pais e confiado a Ilonka, uma cantora de cabaré católica. É assim que Wisel dá início ao processo de desenraizamento de seu personagem: uma criança privada de seus parentes, de sua fé, de seu nome e de sua identidade, encarnando o mito de judeu errante. O livro viaja entre Paris e Nova York no final dos anos de 1990. A vida de Gamliel gira em torno de amigos também desarraigados, eternos refugiados sempre de partida: Bolek, sobrevivente do gueto de Varsóvia; Diego, herói da guerra da Espanha; Gad, agente secreto do Mossad; e Iasha, fugitivo dos expurgos stalinistas. Juntos os amigos reconstroem o mundo à maneira dos exilados, erguendo defesas com memórias para amalgamar vidas em pedaços. Elie Wiesel nasceu em Sighet, hoje Romênia, em 1928. Aos 15 anos foi deportado junto com a família para campos de concentração, onde seus pais e sua irmã mais nova morreram. Passou pelos campos de Auschwitz, Buna, Gleiwitz e Buchenwald até ser libertado em 1945.
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