Um arquiteto bem brasileiro
PublishNews, 09/03/2004
"É impossível imaginar o Brasil do século XX sem Oscar Niemeyer." É assim que o historiador inglês Eric Hobsbawn inicia seu testemunho sobre o grande arquiteto brasileiro. O texto encontra-se publicado em Oscar Niemeyer: Minha Arquitetura 1937 - 2004 (Revan, 408 pp., R$ 150) e acompanha elogios de personalidades como Chico Buarque, Eduardo Galeano, André Malraux e José Saramago. A obra apresenta o conjunto de criações e concepções de Oscar Niemeyer, hoje com 96 anos de vida e 67 de profissão. Obras como o conjunto da Pampulha, o Museu de Arte de Curitiba, os palácios de Brasília e a sede da Editora Mondadori, em Milão, estão presentes neste livro de excelente design e ótimo acabamento gráfico – a encadernação foi feita em capa dura e o miolo foi impresso em quatro cores sobre papel cuchê. Mas o livro não se resume a fotos das obras de Niemeyer. Dois textos do arquiteto fazem parte da obra: "Meu método de trabalho" e "Minha arquitetura". Bilíngües, estes relatos permitem aos apreciadores de seu trabalho, no Brasil ou no exterior, conhecer um pouco do modus operandi do artista do concreto. Além disso, Minha Arquitetura traz projetos, desenhos, esculturas, mobílias e poesias criadas por Oscar Niemeyer. Em uma destas poesias, fica explícita a brasilidade do arquiteto: "Que se foda o trabalho, / e este mundo de merda, / e aí, no Brasil, / que eu quero viver." A tradução para o inglês não poderia ser mais perfeita: "Fuck the job, / and this shit world, / there, in Brazil, / is where I want to live."
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