A sangue frio
PublishNews, 02/03/2004
Mesclando suspense, tragédia e uma profunda reflexão sobre a alma humana, o romance O dia em que matei meu pai (Record, 224 pp., R$ 25,90) assinala a estréia do jornalista Mario Sabino na literatura. Partindo de uma trama aparentemente simples, a do narrador que conta à sua analista os motivos pelos quais matou o pai, o autor desenvolve uma obra na qual a psicanálise, a filosofia, a religião e a literatura se sobrepõem num discurso marcado pela dissimulação. Uma história de mistério em que o leitor deve descobrir não o crime ou o criminoso - explícitos desde o título - mas as motivações para o ato. Este breve trecho dá um idéia da densidade do romance: "Estendi o corpo de meu pai no sofá e me sentei na beirada, perto de seu rosto. Não sei quanto tempo permaneci olhando para ele, mas foi o suficiente para que guardasse na memória cada sulco de sua face. Depois que cerrei os seus olhos esbugalhados, a expressão de espanto deu lugar a um sorriso. Mas pode ter sido impressão. Em seguida, telefonei para a polícia. 'Venham me prender. Matei meu pai.'"
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