Desbunde setentiano
PublishNews, 04/12/2003
Muito se falou sobre a geração que viveu nos anos 70 recoberta de chumbo pela ditadura militar. Mas pouco se conhece de um comportamento emblemático da mesma época: o desbunde. O que foi este movimento de contracultura tipicamente nacional, por onde trafegaram os loucos, os hippies, as drogas, a guerrilha, as mulheres, os gays e que, de quebra, foi o elemento detonador de tantas crises pessoais e da ressaca do exílio? É o que a jornalista Lucy Dias traz à luz no livro Anos 70 - Enquanto corria a barca (Senac São Paulo, 360 pp., R$ 70) que será lançado no dia 9 de dezembro, a partir das 19h, na Livraria Boa Vista, em São Paulo. Por meio de trinta depoimentos colhidos em entrevistas com pessoas que viveram a ruptura comportamental do período, sempre tendo como pano de fundo o panorama urbano, cultural e político, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, a autora traça uma espécie de inventário de corações e mentes, que ela batizou de "reportagem subjetiva" em oposição, segundo diz, à "falsa objetividade jornalística" e também por colocar no alvo de sua investigação "o cerne imaterial da memória". O desbunde contaminava gente de todas as classes - entre estes viajantes setentistas misturavam-se pobres, ricos e remediados -, mas isso não fazia a menor diferença, desde que falassem a mesma língua. "Essa tribo mundial, que acabou durando alguns anos, era real. Saíamos para o mundo e quando dois cabeludos se reconheciam, era como se fossem irmãos, amigos desde criancinha", diz um ex-hippie.
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