Caxinguelê lança Atotô, selo com curadoria de Bárbara Carine e Thiago Thomé
PublishNews, Monica Ramalho, 29/07/2026
Os dois primeiros títulos do selo, escritos pelos curadores, compartilham o interesse por reposicionar a história africana, a memória negra e a ancestralidade no centro da narrativa

Dois livros, dois autores e uma mesma proposta marcam o nascimento do Atotô Editorial, da Editora Caxinguelê. Com curadoria da escritora e pesquisadora Bárbara Carine e do escritor e ator Thiago Thomé, o selo estreia com O velho mundo: Egito negro nas escolas e Jorge Obaína e o tesouro de Nefertari, obras que aproximam literatura, educação, ancestralidade e pensamento crítico, escritas, respectivamente, por Bárbara e Thiago.

O Atotô será apresentado ao público em um pré-lançamento no dia 3 de agosto, na Livraria da Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro. No dia 8 de agosto, às 16h, estará na mesa Escritas para mudar o mundo, na Flipelô (Largo Tereza Batista, em Salvador, Bahia) e será um dos destaques da programação da Caxinguelê na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em setembro, com lançamentos e sessões de autógrafos do casal de curadores.

A proposta do selo é reunir obras capazes de ampliar repertórios e provocar novas formas de olhar para a sociedade, a história e as relações humanas. Embora pertençam a gêneros distintos, ensaio e ficção de aventura, os dois primeiros títulos compartilham o interesse por reposicionar a história africana, a memória negra e a ancestralidade no centro da narrativa.

"Assumir a curadoria de um selo editorial é uma responsabilidade não apenas intelectual, mas, sobretudo, ética. O Atotô nasce com o propósito de reunir literaturas que ajudem a curar dores sociais e a construir novos caminhos para questões ligadas à educação, às opressões estruturais e ao mundo que sonhamos construir", afirma Bárbara Carine ao PublishNews.

Em O velho mundo: Egito negro nas escolas, Bárbara Carine revisita a presença do Egito e das civilizações africanas no ensino, propondo uma reflexão sobre os apagamentos históricos e a construção de uma educação antirracista. A autora defende que o legado africano para a formação do conhecimento ocidental foi historicamente invisibilizado e que essa história precisa voltar ao centro das salas de aula.

"Escrever O velho mundo é uma oportunidade de apresentar outra narrativa sobre o Egito e mostrar aos estudantes que essa história também precisa ocupar a sala de aula. Como diz um provérbio africano, é importante que os leões contem a própria história para que os relatos de glória não pertençam apenas aos caçadores", diz Bárbara ao PN.

Jorge Obaína e o tesouro de Nefertari, de Thiago Thomé, acompanha um arqueólogo negro brasileiro em uma aventura pelo Egito. Misturando suspense, patrimônio histórico e ancestralidade, o romance discute quem tem o direito de narrar o passado e convida jovens leitores a conhecer outras perspectivas sobre a história africana.

"Jorge Obaína nasceu para reconstruir memórias. Ao acompanhar a aventura de um arqueólogo brasileiro pelo Egito, quis contar histórias por uma perspectiva afrocentrada e mostrar que sempre existem outras formas de olhar para o passado. Esse é o principal legado que espero deixar com a saga", analisa ao PublishNews o multiartista Thiago Thomé.

[29/07/2026 11:18:15]