
A Federación Argentina de Librerías, Papelerías y Afines (Falpa) declarou nesta semana o setor livreiro em estado de emergência diante da situação financeira de cerca de 1,2 mil livrarias independentes do país. Segundo levantamento da entidade, entre janeiro e agosto de 2023 e o mesmo período de 2026, o número de exemplares vendidos caiu 25% e o faturamento recuou 41,5% em termos reais, enquanto os custos operacionais cresceram 31,1%, também descontada a inflação.
A Falpa chama o movimento de “efeito tesoura”: enquanto as receitas encolhem, despesas como serviços, comunicações, fretes e logística seguem na direção oposta. Segundo a federação, para compensar a perda de faturamento, os estabelecimentos precisariam ter reduzido os seus custos reais entre 34% e 38% no período, ajuste considerado inviável diante do peso das despesas fixas.
Em entrevista ao jornal argentino El Día, o presidente da Falpa, Jorge García, afirmou que há livreiros recorrendo a economias pessoais ou à renda obtida em outras atividades para manter os estabelecimentos abertos, além de reduzir equipes e outras despesas.
Entre as medidas reivindicadas pela federação estão a fiscalização e o cumprimento da Lei 25.542, que estabelece o preço uniforme de venda dos livros na Argentina; linhas emergenciais de crédito com juros preferenciais e período de carência; tarifa postal reduzida para livros; prioridade às livrarias locais nas compras públicas; e a criação de uma Mesa Nacional do Livro com representantes da cadeia.
A defesa da Lei 25.542 ocorre em meio à discussão sobre uma proposta do governo de Javier Milei para revogar a legislação, em vigor desde 2001, como parte da sua agenda de desregulamentação. A possibilidade provocou reação de entidades de livreiros, editores e escritores, que argumentam que o preço uniforme ajuda a preservar a concorrência entre estabelecimentos de diferentes portes e a presença de livrarias em diferentes regiões.
A declaração de emergência é uma iniciativa da Falpa e não corresponde a um estado de emergência decretado pelo governo argentino. A entidade pede medidas urgentes para evitar o fechamento de estabelecimentos e preservar a rede de livrarias independentes do país.






