
Pequena passarela sobre o abismo (Edições Loplop, 72 pp, R$ 50) é o segundo livro de poemas de Guilherme Ziggy. Em 72 páginas, o poeta paulista reúne composições marcadas pelo diálogo com o surrealismo e por imagens ligadas à ideia de travessia, em uma escrita mais sintética do que a apresentada em sua estreia, Consultas autônomas (Demônio Negro, 2019). O próximo lançamento será na sexta-feira, 28 de agosto, às 19h, no Cemitério de Automóveis (Rua Francisca Miquelina, 155, no térreo — São Paulo / SP).
Publicado sete anos depois do primeiro livro, que ganhou edição argentina pela Nulú Bonsai em 2025, Pequena passarela sobre o abismo dá continuidade a algumas das investigações poéticas de Ziggy, mas aponta uma mudança de linguagem. Se em Consultas autônomas predominavam poemas longos e uma forte interlocução com a psicanálise, no novo trabalho o autor concentra a escrita em poemas mais breves e imagens de maior intensidade.
O título nasceu de uma imagem presente no Segundo manifesto do surrealismo, de André Breton (1896-1966). "Gosto da ideia da pequena passarela porque ela sugere uma travessia frágil, provisória, diferente da segurança que uma ponte costuma representar. Ela está ligada à busca do maravilhoso no cotidiano e aos inúmeros atravessamentos que experimentamos ao longo da vida", explica Ziggy, no release.
A ideia de travessia também aparece na apresentação do poeta e pesquisador Elvio Fernandes. Ele identifica no livro a recorrência de "imagens do limiar", como margens, portas, janelas e falésias, que ajudam a construir a passagem como uma das experiências centrais dos poemas. O livro tem projeto gráfico de Daniel Justi e capa criada por a partir da colagem de Michael Löwy.
Referências à literatura, ao cinema e à música também atravessam o livro. "Há poemas que nascem de uma imagem, de um filme, de uma canção ou de uma leitura. Em outros casos, essas referências aparecem durante a própria escrita, quase como se o poema as convocasse. O que me interessa é quando essas obras passam a fazer parte da imaginação do poema e ganham uma nova vida dentro dele", diz o autor, no texto de divulgação.
Nascido em Itapeva, interior de São Paulo, em 1994, Guilherme Ziggy é poeta, tradutor e editor de obras ligadas ao ocultismo e ao pensamento mágico e integra o grupo surrealista DeCollage. Como tradutor, trabalhou com autores como Mark Fisher, Claudia Horn, Mark Bray e Caitlin Schroering.






