
Como criar filhos em um mundo no qual crianças e adolescentes muitas vezes dominam dispositivos e redes sociais melhor do que os próprios pais, mas ainda não têm maturidade para compreender os riscos envolvidos nesse ambiente? A jornalista Renata Cafardo parte dos desafios impostos pela tecnologia à vida familiar em O algoritmo das famílias: como o mundo digital desafia a parentalidade (Editora Contexto).
Com 192 páginas, o livro reúne evidências científicas, entrevistas com especialistas e relatos de famílias para investigar de que maneira telas, redes sociais e algoritmos atravessam a criação de crianças e adolescentes. O lançamento será em 24 de agosto, às 18h, na Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena – São Paulo/SP).
Especializada em educação e há 26 anos no jornalismo, Renata afirma que a presença cada vez maior da tecnologia criou um dilema particular para mães, pais e responsáveis. "A tecnologia é, ao mesmo tempo, solução e problema. Solução porque nos ajuda em muitas coisas e as crianças precisam entender do assunto para serem profissionais de sucesso no futuro, mas problema porque tem riscos que sequer os adultos conseguem muitas vezes dimensionar", diz ao PublishNews.
Para a autora, o fato de crianças e adolescentes frequentemente terem mais facilidade para operar aparelhos e circular pelas redes pode contribuir para que os adultos se sintam despreparados para orientá-los. "Habilidade técnica não é maturidade emocional para lidar com o que a tecnologia pode trazer", ressalta.
É nesse ponto que O algoritmo das famílias procura ir além da discussão sobre limitar o tempo de tela. Renata aborda o funcionamento dos algoritmos, os mecanismos usados pelas plataformas para capturar a atenção e os efeitos desse ambiente sobre as relações familiares, além de discutir caminhos para que os adultos acompanhem a vida digital dos filhos sem recorrer apenas à proibição.
"Os pais não podem deixar de lado ou apenas proibir. É preciso criar vínculos e memórias fora das telas com seus filhos, supervisionar, explicar como se explicam outras questões que fazem mal à saúde, falar dos algoritmos, do vício, da forma como a atenção é cooptada", afirma ao PN. Para a jornalista, compreender esses mecanismos tornou-se parte da própria educação das novas gerações. "É um letramento crucial para tentarmos educar uma geração saudável."
O livro chega em um momento em que o uso da tecnologia por crianças e adolescentes ocupa espaço crescente no debate público brasileiro. Desde 2025, a Lei nº 15.100 restringe o uso de aparelhos eletrônicos portáteis pessoais por estudantes durante a rotina escolar na educação básica, com exceções previstas pela própria legislação.
Repórter especial e colunista do Estadão, Renata Cafardo é uma das fundadoras da Associação de Jornalistas de Educação (Jeduca) e já trabalhou na TV Globo. Em 2024, foi pesquisadora visitante na Graduate School of Education da Universidade de Stanford e, em 2017, participou do Global Reporting Institute, da Universidade Columbia.






