
A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) anunciou nesta terça-feira (23) sua programação completa, em uma coletiva de imprensa no Teatro Youtube — Sala Eva Herz, em São Paulo (SP). O evento fluminense ocorre entre os dias 22 e 26 de julho, de quarta a domingo. Uma das novidades são os horários das mesas. Na sexta e no sábado, o último painel do dia será realizado às 19h. No domingo, serão apresentadas três mesas: às 10h, às 12h e às 15h30. Essa é a 24ª edição da Festa, e a homenageada é a poeta Orides Fontela.
Dois dos nomes confirmados nesta terça são os da ministra do STF Carmen Lúcia e o da escritora inglesa Zadie Smith. A literatura brasileira de autoria feminina, tanto em prosa quanto em poesia, também tem lugar de destaque no Programa Principal, com escritoras consolidadas e nomes importantes desta geração, como Andrea del Fuego, Paulliny Tort, Bethânia Pires Amaro, Mateus Baldi e Paloma Vidal.
Neste ano, o Programa é composto por 21 mesas literárias, com autores nacionais e internacionais, e curadoria literária de Rita Palmeira. Ele é realizado no Auditório da Matriz, em Paraty, e é transmitido gratuitamente ao vivo no telão da Praça, na Casa Patrimônio, localizada no Largo da Santa Rita, pelo site e YouTube da Flip e pelo canal Arte1.
A venda de ingressos para o Auditório da Matriz começa no dia 26 de junho, com valores a partir de R$ 25, no site flip.org.br. Haverá uma venda antecipada de ingressos para paratienses, entre as 12h de terça-feira, dia 23 de junho, até as 17h de quinta-feira, dia 25 de junho, no Paraty Tours (Avenida Roberto Silveira, nº 479 — Paraty / RJ).
A abertura da Festa neste ano será realizada no dia 22 de julho, quarta-feira, às 19h30, em uma mesa com o crítico literário Augusto Massi, amigo e editor de Orides Fontela, e a poeta e ensaísta Marília Garcia. Massi discorrerá sobre a obra de Orides e Garcia fará leitura performática de um poema encomendado especialmente para a abertura da 24ª Flip.
Entre outros nomes confirmados nesta terça-feira (23), estão Ana Paula Tavares, Maria Reva, Andrei Kurkov, Maria Esther Maciel, Drauzio Varella, Nathacha Appanah e Eduardo Halfon.
Casas parceiras
Em 2026, serão 44 casas parceiras da Flip, um crescimento sobre as 36 do ano passado. "Eu ouvi de um paratiense que a Flip é a única época do ano que se pode entrar nas casas", disse o diretor artístico da Associação Casa Azul, que organiza o evento, Mauro Munhoz. "A Flip traz para o século XXI uma urbanidade da qual a gente se esqueceu, de circulação de pedestres e outras dimensões de visibilidade e articulações institucionais que viabilizam a própria maneira como esse espaço evolui." As casas parceiras serão identificadas com as bandeiras de sinalização da Flip, concebidas com a identidade visual da edição, que fazem com que todo o Centro — uma delas é a Casa PublishNews, que terá sua programação anunciada em breve.
Entre outros espaços, a Praça Aberta vai seguir ocupando a margem esquerda do rio Perequê-açu durante a Festa, recebendo editoras e autores independentes, espaços parceiros, instituições e coletivos locais. Em 2026, o espaço receberá também um telão para a transmissão ao vivo e gratuita do Programa Principal.
A nova iniciativa Leitura na Praça ocorre no gramado da Igreja de Santa Rita, de quinta-feira a domingo. Realizada em parceria com a Estante Virtual, a Oficinar, a Reserva Mini e a revista piauí, é um espaço dedicado à circulação de livros e ao compartilhamento do momento de leitura. Além de incentivar a formação de novos leitores e o acesso aos livros, a ideia é promover a troca de exemplares entre o público, reforçando a leitura como prática coletiva. Casa da Cultura e Cinema da Praça também terão programações oficiais.
Ciclo da Autora Homenageada
A Flip e o Centro de Pesquisa e Formação do Sesc-SP realizam pelo 10º ano consecutivo o Ciclo da Autora Homenageada, na capital paulista, entre os dias 25 e 27 de junho. Em quatro encontros, a série de debates, que antecede a Festa, convida autores, poetas e especialistas na obra de Orides Fontela. O Ciclo é o momento dedicado a aprofundar as conversas e o debate sobre a autora homenageada da edição. Nesta temporada, a primeira mesa ocorre na quinta-feira, dia 25 de junho. Haverá uma segunda mesa na sexta-feira, 26, e outros dois encontros no sábado, 27. Entre os participantes estão Alcides Villaça, Olgária Matos, Patrícia Lavelle, Ivan Marques, Paulo Henriques Britto, Tatiana Pequeno, Ana Estaregui, Isabela Bosi e Nina Rizzi.
As mesas do Ciclo acontecem na sede do CPF Sesc-SP (Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista — São Paulo / SP). A entrada é gratuita mediante retirada de senha com uma hora de antecedência na própria bilheteria do CPF Sesc-SP.
Orides Fontela é homenageada por Fabiana Cozza
A Flip e a Casa Natura Musical ainda apresentam em parceria o show Nunca Crer no que Não Canta, da cantora Fabiana Cozza, inspirado na obra de Orides Fontela. Acompanhada do sanfoneiro Cleber Silveira, a cantora parte do poema "Memória” e do verso “Nunca amar o que não vibra” e escolhe um repertório de músicas nacionais e internacionais que conversam com a obra de Orides Fontela, como “Fullgás” (Marina Lima e Antonio Cicero), “Amor meu grande amor” (Angela Ro Ro e Ana Terra), “O sol nascerá” (Cartola), “La vie en rose” (Edith Piaf) e “Um dia de domingo” (Tim Maia). A apresentação ocorre nesta terça-feira, dia 23 de junho, na Casa Natura Musical, que fica no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Veja abaixo a programação completa da 24ª Flip:
22/07
quarta-feira
19h30
mesa 1 – entra furtivamente a luz
Augusto Massi + Marília Garcia
O crítico literário Augusto Massi, amigo e editor de Orides Fontela, divide a mesa com a poeta e ensaísta Marília Garcia. Massi discorrerá sobre a obra de Orides e Garcia fará leitura performática de um poema encomendado especialmente para a abertura da 24ª Flip.
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23/07
quinta-feira
10h
mesa 2 – saber de cor o silêncio
Edimilson de Almeida Pereira + José Tolentino de Mendonça
mediação Sofia Mariutti
Poetas de uma mesma geração, donos de obra vasta e ambos detentores de grande erudição, o português José Tolentino Mendonça e o brasileiro Edimilson de Almeida Pereira conversam sobre linguagem poética, enigma e identidade.
12h
mesa 3 – não vim. não vi. não havia guerra alguma
Andrei Kurkov + Maria Reva
mediação Laura Capelhuchnik
Como narrar o que se viu e o que não se viu mas que está acontecendo? Maria Reva, escritora canadense de origem ucraniana, conversa com o escritor Andrei Kurkov sobre seus livros que, por caminhos distintos (ela, em romance engenhoso e bem-humorado; ele, em diários), tratam da guerra da Ucrânia e do dilema ético que acompanha narrativas de conflitos de grande dimensão.
15h
mesa 4 – mas para que serve o pássaro? o pássaro não serve
Andréa del Fuego + Paulliny Tort
mediação Micheline Alves
Duas das mais inventivas ficcionistas brasileiras da atualidade se encontram para conversar sobre seus livros, sobre a capacidade de fabulação e a função da literatura.
17h
mesa 5 – a infância volta devagarinho
Andrea Bajani + Maria Esther Maciel
mediação Anabela Mota Ribeiro
Dois grandes escritores, um italiano e uma brasileira, se reúnem para conversar sobre seus romances em que questionam o amor compulsório dos filhos por seus pais e revisam a relação familiar.
19h
mesa 6 – falo do que impede o sono
Djaimilia Pereira de Almeida + Kamel Daoud
mediação Adriana Ferreira Silva
Vencedor do Goncourt 2024, Kamel Daoud e a premiada escritora luso-angolana Djaimilia Pereira de Almeida, autora de Luanda, Lisboa, Paraíso, conversam sobre a construção de seus romances e também sobre esquecimento, luto e dever de memória.
21h
mesa 7 – do livro ao palco: Dalton, que tinha um cachorro
Denise Stoklos
Espetáculo inspirado na obra de Dalton Trevisan, com direção de Alessandra Maestrini. A apresentação marca a estreia do espetáculo.
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24/07
sexta-feira
10h
mesa 8 – água parada água parada água parando
Carmen Stephan + Drauzio Varella
mediação Laura Capelhuchnik
Uma conversa sobre escrita, doenças tropicais, medicina, vida e morte. Carmen Stephan, escritora alemã que escreveu um romance sobre a malária (narrado pelo mosquito transmissor), e o renomado escritor e médico Drauzio Varella, autor de, entre outros livros, O médico doente, em que trata do momento em que contraiu febre amarela e esteve à beira da morte.
12h
mesa 9 – mesa Zé Kleber: a severa arquitetura serenamente prende-nos José Godoy + Solano Benítez
mediação: Francesca Angiolillo
De que modo se habita um espaço? A serviço de quem está o uso que se faz de um determinado lugar? Como esse habitar pode estar a serviço da vida ou de políticas repressivas? Esta mesa reúne dois latino-americanos, um arquiteto paraguaio e um jornalista brasileiro, para debaterem diferentes formas de ocupar o espaço. Se José Godoy relata suas descobertas sobre a Ilha Dawson, território chileno que foi usado para extermínio de indígenas e, décadas depois, sob o governo Pinochet, para tortura e encarceramento de dissidentes políticos, Benítez fala de sua experiência como inventor de espaços que reivindicam estreita relação com a natureza e respeito às populações locais.
13h30
mesa 10 – estado de sítio, estado de sido, estase
Cármen Lúcia
mediação Paula Miraglia
A ministra do Supremo Tribunal Federal fala de seu recém-lançado livro Pela mão do povo - Democracia e voto no Brasil, bem como dos recentes ataques à democracia brasileira.
15h
mesa 11 – como revelar-te se me revelas?
Flávia Péret + Julieta Correa
mediação Natalia Timerman
A conversa reúne uma escritora mineira e uma escritora argentina para falar de seus livros, que, enquanto refletem sobre a relação entre neta e avó, e mãe e filha, narram, de forma delicada e bem-humorada, o processo de adoecimento por demência de mulheres de sua família.
17h
mesa 12 – e perdura. apesar.
Bethânia Pires Amaro + Nathacha Appanah
mediação Gabriela Longman
Duas escritoras, uma brasileira e uma franco-mauriciana, conversam sobre seus livros que têm protagonistas mulheres. Em comum, seus livros revelam inúmeras formas de violência a que são submetidas suas personagens. Ganhadora do Femina 2025 com um dos romances de maiorrepercussão no ano passado na França, Nathacha Appanah se encontra com Bethânia Pires Amaro, que recebeu o Jabuti (Contos) em 2024.
19h
mesa 13 – o tecido: não sabemos qual a trama
Katie Kitamura + Marta Pérez-Carbonell
mediação Gabriela Mayer
Até onde acreditar no que se lê? Em que medida se pode narrar a vida do outro sem se preocupar com as consequências dessa decisão? As romancistas Katie Kitamura e Marta Pérez-Carbonell conversam sobre narradores pouco confiáveis, histórias que desestabilizam leitores e o efeito ilusório que a ficção pode trazer.
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25/07
sábado
10h
mesa 14 – a saída é a volta
Eduardo Halfon + Paloma Vidal
mediação Gabriela Mayer
A mesa reúne um escritor guatemalteco de origem judaica, criado nos Estados Unidos e hoje residente em Berlim, e uma escritora argentina que vive no Brasil, com passagens por Estados Unidos e França. Ele escreve em espanhol apesar de ter o inglês como língua principal; ela escreve em português apesar de sua língua materna ser o espanhol. Os dois são personagens de seus próprios romances e aqui se reúnem para falar de seus projetos literários, de deslocamentos e identidades.
12h
mesa 15 – se o delírio te eleva à potência do abismo
João Cezar de Castro Rocha + Paulo Schiller
mediação Anabela Mota Ribeiro
Encontro de dois ensaístas para debater o autoritarismo e a ascensão da extrema direita. O crítico literário João Cezar de Castro Rocha e o psicanalista e tradutor Paulo Schiller recuperam os argumentos que sustentam seus livros mais recentes para tentar entender, a partir do repertório de suas respectivas áreas de atuação, como comportamentos associados ao autoritarismo ganharam a cena nos últimos tempos.
15h
mesa 16 – o boi é só. o boi é só. o boi.
Ana Paula Tavares
mediação Tarso de Melo
Vencedora do prêmio Camões 2025, a poeta, ensaísta e pesquisadora angolana Ana Paula Tavares fala de sua trajetória e de sua produção poética, ambas profundamente marcadas pela história de seu país e da luta pela emancipação feminina. Conversa também a respeito de sua relação com o Brasil, por meio da língua, da poesia e da literatura, sobretudo a partir dos laços que o unem a Angola.
17h
mesa 17 – não mais sabemos do barco, mas há sempre um náufrago Hisham Matar + Milton Hatoum
mediação Paulo Roberto Pires
Hisham Matar conversa com Milton Hatoum sobre histórias de famílias que têm seu destino determinado por governos autoritários. Matartinha 19 anos quando seu pai foi sequestrado pelo governo do ditadorlíbio Muammar Gaddafi e nunca mais reapareceu. Hatoum, em sua recente trilogia, narra o desaparecimento de uma mãe ocorrido durante a ditadura militar brasileira. Uma conversa entre dois premiados escritores sobre seus livros e a relação entre memória e literatura, política e ficção, escrita e liberdade.
19h
mesa 18 – e este chão não existe, e esta paz é vertigem
Zadie Smith
mediação Juliana Borges
Entrevista com a escritora britânica Zadie Smith, uma das vozes mais celebradas da literatura em língua inglesa da atualidade. Ela responderá a questões sobre sua obra, a construção fina e arguta de cada um de seus livros, e discutirá temas presentes em seus romances como colonialismo, imigração e racismo.
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26/07
domingo
10h
mesa 19 – a porta está aberta
Ernesto Mané + Ève Guerra
mediação Adriana Ferreira Silva
A mesa reúne dois autores que, em seus livros,refletem sobre a relação com a diáspora africana contemporânea e tocam em temas como imigrações, violência, famílias birraciais, afeto, identidade e pertencimento. Se o físico e diplomata brasileiro conta da viagem que fez à Guiné-Bissau para conhecer a família de seu pai, a poeta e professora francesa Ève Guerra narra, em seu premiado romance, a experiência de repatriar o corpo do pai do Congo para a Europa.
12h
mesa 20 – nunca crer no que não canta
Leonardo Gandolfi + Mateus Baldi
mediação Fernando Luna
Nessa mesa se reúnem um poeta cujo olhar se fixa nas pequenas coisas cotidianas e uma contista que mira com delicadeza o espaço urbano e quem o habita. Também aparecem um poeta e pesquisador que enaltece a música em seus versos e nos versos dos outros e uma ensaísta que se dedica a refletir sobre um dos maiores discos da MPB. Trata-se de um encontro sobre poemas, canções e cidades, e o que resulta daí.
15h30
mesa 21 – o que faço desfaço, o que amo desamo
Eva Baltasar + Susy Freitas
mediação Micheline Alves
Encontro de duas escritoras de enorme originalidade. A catalã Eva Baltasar, que escreveu uma vertiginosa trilogia sobre a maternidade, e a amazonense Susy Freitas, autora do frenético romance No baile do juízo final. À sua maneira, as duas escritoras esgarçam os estereótipos do feminino e colocam suas personagens em situações-limite de sustentação do próprio desejo.







