
Na categoria de ficção, a vencedora foi a escritora norte-americana Virginia Evans, premiada pelo romance de estreia, The correspondent (Penguin Random House, a ser lançado em agosto no Brasil pela Editora Arqueiro). O Women's Prize for Non-Fiction foi concedido à jornalista canadense Lyse Doucet por The finest hotel in Kabul: A people's history of Afghanistan (Hutchinson Heinemann), obra que utiliza a trajetória de um hotel da capital afegã para narrar décadas de transformações políticas e sociais do país.
O resultado desta edição trouxe uma coincidência simbólica: tanto Evans quanto Doucet foram premiadas por seus livros de estreia. As duas vencedoras receberam £ 30 mil (equivalente a cerca de R$ 180 mil), além das tradicionais obras de arte entregues pelo prêmio: a estatueta Bessie, na categoria de ficção, e a escultura Charlotte, em não ficção.
Presidente do júri do Women's Prize for Fiction, Julia Gillard definiu a obra de Evans como “um romance notável, com uma combinação exemplar de originalidade, excelência e acessibilidade”. “Não é tarefa fácil escrever uma vida em cartas, mas Evans faz isso parecer simples, convidando o leitor a refletir sobre as escolhas que fazemos, ao mesmo tempo que eleva uma vida comum da maneira mais comovente. Este é um romance que conquistou nossos corações e deve ser lido e apreciado por todos”, afirmou, no site do concurso.
Ao receber o prêmio, Evans destacou a importância de ampliar o espaço para as histórias contadas por mulheres. “Nós, mulheres, carregamos a história do mundo em nossos corpos. Por meio da conversa, do amor, dos relacionamentos, da atenção e do cuidado, temos o poder de preservar histórias e também de contá-las. Quero ouvir as perspectivas das mulheres, suas agonias, sua sabedoria e seus pensamentos mais selvagens, eufóricos, angustiantes e brilhantes”, disse.
Já a presidente do júri da categoria de não ficção, Thangam Debbonaire classificou o livro de Doucet, que atua como correspondente internacional da BBC, como “um exemplo perfeito de não ficção narrativa”. “Além de ser inteligentemente construído e brilhantemente pesquisado, cada elemento é tratado com extraordinária sensibilidade e ternura. É um livro capaz de levar o leitor às lágrimas ou ao riso, muitas vezes aos dois”, avaliou.
A recepção crítica também foi calorosa. Em resenha publicada pelo The Guardian, o historiador William Dalrymple destacou a atenção dedicada por Doucet às pessoas comuns que mantêm o hotel em funcionamento apesar das sucessivas guerras e crises enfrentadas pelo Afeganistão. “Hoje, apesar de tudo, o hotel permanece um monumento à resiliência afegã e à bravura e persistência de sua equipe. Em Doucet, eles encontraram uma cronista à altura”, escreveu, no jornal londrino.
Criado para promover a escrita feminina e enfrentar desigualdades de gênero no mercado editorial, o Women's Prize Trust mantém também o programa Discoveries, iniciativa voltada ao desenvolvimento de escritoras inéditas ou sem representação literária no Reino Unido e na Irlanda. Realizado em parceria com a Audible, a agência Curtis Brown e a Curtis Brown Creative, o programa busca identificar e apoiar novas vozes da ficção contemporânea.







