
Em sua 20ª edição, o prêmio reconhece iniciativas que defendem a liberdade de publicação em contextos de risco. Os finalistas deste ano representam Palestina, Egito, Filipinas, Tailândia e Rússia, reunindo histórias marcadas por vigilância, apreensão de livros, exclusão de feiras, exílio e pressões políticas.
Entre os selecionados estão a editora palestina Dar Al Jundi, única casa editorial árabe palestina oficialmente licenciada em Jerusalém; a egípcia El Maraya, cujo fundador, Yehya Fekry, enfrentou buscas policiais e apreensão de livros; a filipina Gantala Press, voltada à publicação de obras de ativistas e defensoras dos direitos humanos; e a Sam Yan Press, editora independente criada por estudantes na Tailândia para ampliar o acesso a perspectivas dissidentes.
A lista inclui ainda dois representantes ligados ao mercado editorial russo. Exilado no Reino Unido, Georgy Urushadze foi indicado pelo trabalho à frente da Freedom Letters, criada para contornar mecanismos de censura e levar livros a leitores russos. Também concorre Vitali Ziusko, fundador da KompasGuide, editora que tem enfrentado restrições por sua oposição à discriminação e por defender a liberdade de escritores e editores.
Segundo Jessica Sänger, presidente do Comitê de Liberdade de Publicação da IPA, a edição de 2026 recebeu um número recorde de indicações. "Isso é, sem dúvida, triste em certo sentido. Tantas editoras em tanto perigo. Mas também é inspirador ver a coragem delas, ler sobre editoras que conhecem os riscos, mas estão preparadas para enfrentá-los a fim de levar livros aos leitores", afirmou, em comunicado.
Para marcar os 20 anos da premiação, a IPA acrescentou ao Voltaire o lema "Coragem na Publicação". Em comunicado, a presidente da entidade, Gvantsa Jobava, destacou que os finalistas e vencedores da premiação têm enfrentado prisão, assédio, exílio e outras formas de perseguição por defenderem a circulação de livros e ideias.
O vencedor do Prêmio Voltaire 2026 será anunciado durante o 35º Congresso Internacional de Editores, que será realizado entre os dias 5 e 9 de julho, em Kuala Lumpur, na Malásia.
Veja a lista de indicados:
Dar Al Jundi (Palestina): única editora árabe palestina oficialmente licenciada em Jerusalém, publica obras sensíveis em meio a restrições políticas e culturais.
Yehya Fekry / El Maraya (Egito): fundador de uma editora independente que enfrentou buscas policiais, apreensão de livros e exclusão da Feira do Livro do Cairo.
Gantala Press (Filipinas): editora feminista que publica obras de ativistas e defensores dos direitos humanos diante de crescentes pressões estatais.
Sam Yan Press (Tailândia): editora estudantil independente dedicada à circulação de ideias dissidentes e à tradução de autores críticos para o tailandês.
Georgy Urushadze / Freedom Letters (Rússia/Reino Unido): editor russo exilado que criou uma rede para driblar a censura e distribuir livros proibidos na Rússia.
Vitali Ziusko / KompasGuide (Rússia): fundador de uma editora sob constante pressão política por defender a liberdade editorial e combater a discriminação.







