
O sertanejo universitário deixou de ser apenas um fenômeno musical há muito tempo. Transformado em trilha sonora dominante das plataformas de streaming, dos rodeios e das festas pelo país, o gênero também se tornou uma peça importante para compreender as transformações econômicas e culturais do Brasil nas últimas décadas. E foi neste contexto que nasceu o novo livro do sociólogo Caique Carvalho, Sertanejo universitário, agronegócio e indústria cultural (Editora Telha).
A obra investiga como o sertanejo universitário se consolidou como fenômeno de massa no início do século XXI e passou a dialogar diretamente com a expansão do agronegócio, as mudanças da indústria fonográfica e os novos padrões de consumo cultural no país. Partindo de uma abordagem interdisciplinar, Caique Carvalho percorre a trajetória do sertanejo desde suas origens até a ascensão da vertente universitária, associada a nomes como Jorge & Mateus, Fernando & Sorocaba e César Menotti & Fabiano.
“A ideia surge da curiosidade científica diante do sucesso alcançado pelo sertanejo universitário nos anos 2000, bem como dos limitados sinais de seu esgotamento. Nesse contexto, os possíveis vínculos dessa vertente musical com setores do agronegócio despertaram o interesse em investigar as razões sociais e econômicas que explicam seu surgimento, sua gênese sócio-histórica e seu êxito comercial”, afirma o autor, no release que apresenta a obra aos jornalistas.
Segundo o pesquisador, a investigação revelou como o gênero se articulou gradualmente aos setores do agronegócio, tanto nos modos de produção e circulação quanto no plano simbólico.
“Os chamados ‘universitários’ emergem em meio a uma crise do setor fonográfico e a uma transformação — ainda que temporária — no padrão de consumo da sociedade brasileira como um todo. Foi particularmente instigante perceber como se deu a articulação dessa vertente com os setores do agronegócio, revelando-se como um processo gradual que gerou ganhos mútuos”, diz Caique, no release.
Professor e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Caique Carvalho integra o Núcleo de Estudos em Sociologia da Arte (Nuclearte). Inspirado por autores como Adorno e Fredric Jameson, ele propõe uma leitura do sertanejo universitário como expressão de um país marcado simultaneamente por expectativas de ascensão social, reprimarização econômica e desigualdades persistentes.







