
O lançamento será realizado nesta sexta-feira (8), às 19h, na Livraria da Travessa (Rua Doutor Tavares de Macedo, 240 — Niterói / RJ). A obra combina memória familiar, documentos históricos e ficção, além de incorporar um experimento com inteligência artificial usado pela autora para recriar a voz de Beatriz mais de cinco décadas após o seu desaparecimento precoce.
Formada em letras pelo Sedes Sapientiae e estudante de sociologia na Escola Livre de Sociologia e Política de São Paulo, Beatriz integrou a Juventude Universitária Católica (JUC), mas sonhava em conhecer um país mais amplo do que os limites impostos pela família e pelos costumes da época. O romance acompanha sua aproximação com Antônio Rezende, professor de filosofia mineiro radicado no Rio de Janeiro, e transforma a correspondência amorosa do casal em eixo narrativo da obra.

Ao longo de 148 páginas, Catarina mistura memória familiar, pesquisa histórica e ficção para refletir também sobre desigualdade, violência de gênero e racismo estrutural. “Beatriz hoje olharia para o Brasil e veria a continuidade de seus antigos dilemas”, escreve a autora na orelha do livro.
A segunda parte da narrativa coloca o foco na própria Catarina, que relembra o impacto da morte da mãe sobre a família e as responsabilidades assumidas ainda jovem diante dos irmãos menores. Um dos fios emocionais do livro está nas cartas que a autora passou a escrever para a mãe enquanto amadurecia, além da descoberta de uma última correspondência deixada por Beatriz pouco antes de partir.
Mestre em literatura brasileira pela PUC-Rio, Catarina Setubal de Rezende tem trajetória ligada à poesia, à crítica literária e às memórias familiares. Entre seus livros publicados estão As pedras e as fitas, Artefatos, Outsiders e Cartas da Mamãe.







