
No mundo globalizado, o livro tem encontrado novos caminhos. E, cada vez mais, eles passam pelo fluxo acelerado das cidades. Duas iniciativas recentes, no Rio de Janeiro e em São Paulo, apostam em encontrar leitores entre os passageiros, transformando estações e rodoviárias em pontos de empréstimo e comércio de livros.
No Rio, o vaivém da estação Cinelândia, no MetrôRio, ganhou mais um ponto de parada: a biblioteca comunitária A Casa Amarela, instalada no acesso C. O espaço funciona de segunda a quinta-feira, das 8h às 19h, e às sextas e sábados, das 16h às 19h, com empréstimo gratuito de livros e programação cultural.
Criado há quatro anos em Anchieta, na Zona Norte, o projeto chega agora ao Centro com a proposta de ampliar o acesso à leitura em um dos pontos mais movimentados da cidade. O acervo atende diferentes faixas etárias e já está apto a receber doações.
“A Casa Amarela nasceu de um sonho coletivo e hoje se torna realidade. Queremos que a biblioteca seja um espaço vivo de troca, reflexão e inclusão”, afirma Pedro do livro, idealizador da biblioteca, ao PublishNews. A abertura do espaço contou com amigos, leitores, curiosos e autoridades, entre elas o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, e a secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro, Danielle Barros.
Padilha acredita no caráter democrático do espaço. “Trazer a Casa Amarela de Anchieta para a Cinelândia aproxima centro e periferia, valorizando escritores e iniciativas que muitas vezes não circulam”, disse no evento, realizado nesta terça-feira, 7 de abril.
A iniciativa dialoga diretamente com a rotina dos cariocas, marcada por longos deslocamentos no transporte público, e propõe um deslocamento simbólico: transformar o tempo de trajeto em tempo de leitura.
Taubaté
Já em Taubaté, interior de São Paulo, o movimento segue direção semelhante, mas com caráter comercial. A Editora Letra Selvagem inaugurou a Livraria Letra Selvagem no Terminal Rodoviário da cidade, criando um novo polo cultural em meio ao fluxo de passageiros.
Em funcionamento das 8h às 21h, a livraria será inaugurada oficialmente na próxima terça-feira, 15 de abril, das 18h às 20h, na Loja 11 do terminal. A proposta é inserir o livro no cotidiano de quem circula pelo espaço — estudantes, trabalhadores e viajantes —, ampliando o acesso para além dos circuitos tradicionais.
“A Livraria Letra Selvagem surgiu na imaginação do menino que nasceu na selva amazônica, em 1958, e sonhava conhecer outros lugares do mundo. Ao crescer, veio de ônibus para São Paulo, a selva do asfalto, e desceu na rodoviária da grande metrópole. Durante a viagem geográfica, que demorou 5 dias, fez outras viagens, imaginárias, em livros que trouxe na mochila”, recorda o escritor, jornalista e editor Nicodemos Sena ao PN.
A livraria se conecta a um movimento já iniciado pela editora com a Feira do Livro e da Amizade da Rodoviária de Taubaté (Fliart), que há anos ocupa o terminal com programação literária. Agora, a presença se torna permanente. A noite de inauguração contará com sessão de autógrafos de O que me toca, de Regina Célia Pinheiro da Silva, além de coquetel e apresentação musical de Marcelo Theo.
Se no Rio a aposta está na gratuidade e na circulação comunitária do livro, em Taubaté a oferta é para quem quer adquirir livros. Em comum, as duas iniciativas compartilham um mesmo princípio: fazer com que a leitura deixe de ser destino e passe a ser travessia.
Serviço
Biblioteca A Casa Amarela — Estação Cinelândia
Quando: segunda a quinta-feira, das 8h às 19h; sexta e sábado, das 16h às 19h
Onde: Estação Cinelândia (acesso C), MetrôRio
Quanto: gratuito
Classificação: livre
Livraria Letra Selvagem — Inauguração
Quando: terça-feira, 15 de abril, das 18h às 20h
Onde: Terminal Rodoviário de Taubaté (Loja 11), Taubaté
Funcionamento: diariamente, das 8h às 21h






