
Organizada por Isabelle Aubert e Marcos Nobre, a obra reúne ensaios, entrevistas e análises sobre os arquivos de nomes centrais da Teoria Crítica, como Walter Benjamin (1892-1940), Max Horkheimer (1895-1973), Herbert Marcuse (1898-1979) e Jürgen Habermas (1929-2026) — e investiga como esses acervos seguem mobilizando a crítica contemporânea.
Mais do que apresentar documentos, o livro olha para os bastidores da produção teórica e para os desafios de preservação desses espólios. A edição brasileira, com mais de 350 páginas, se distingue pela presença ativa de pesquisadores do país, não apenas na tradução, mas também na produção de conteúdos originais que dialogam com questões como democracia, educação e autoritarismo.
“Arquivos são lugares de memória, de conversa com o passado e com as pessoas que o viveram e como viveram. A grande maioria dos arquivos de teóricos críticos que apresentamos falam de pessoas que viveram tempos terríveis, dramáticos, trágicos: experimentaram o fascismo e o nazismo. Têm muito a nos dizer no momento atual. Mas também têm muito a nos dizer sobre a possibilidade de um mundo emancipado, sobre um futuro que não seja sombrio. Isso é teoria viva: ajudar a entender o passado e o presente, ter o olho fixado em um futuro de liberdade e de igualdade”, disse Marcos Nobre ao PublishNews.

Entre os autores e autoras presentes estão Adriano Januário, Fernando Bee, Aurélia Peyrical, Raquel Patriota, Ricardo Lira, Rafael Palazi e Inara Marin, além de uma entrevista com Ursula Marx, responsável pelo Arquivo Walter Benjamin, em Berlim.
Fundado no início do século XX por Felix Weil, o Instituto de Pesquisa Social — que daria origem à chamada Escola de Frankfurt — se consolidou como um dos principais polos de reflexão interdisciplinar do mundo. Ao longo de sua trajetória, atravessada pelo exílio durante o nazismo e pela reconstrução no pós-guerra, o grupo produziu uma tradição intelectual que segue influente em áreas como filosofia, sociologia, teoria política e estudos culturais.
Ao reunir e interpretar os arquivos desses pensadores, Os arquivos da Teoria Crítica recoloca em cena não apenas a história dessas ideias, mas também as condições materiais de sua produção — e as disputas em torno de sua leitura no presente.
“Somente um projeto verdadeiramente coletivo permitiria realizar um projeto dessa envergadura. E assim foi. Contamos com a participação ativa de todas as autoras e de todos os autores na reunião de materiais diversos, como ilustrações e informações relevantes dos diversos arquivos, e na verificação e correção de fontes, traduções e referências. Contamos com colaborações — incluindo entrevistados — de cinco países diferentes: 10 do chamado Sul Global (Brasil, neste caso), 14 do Norte Global (França, Alemanha, Suíça e Estados Unidos)”, explica o coorganizador.






