BITITA Festa da Palavra realiza segunda edição em Belo Horizonte
PublishNews, Redação, 17/03/2026
Entre os dias 19 e 22 de março, o Palácio das Artes recebe o evento gratuito dedicado à literatura, à leitura e às interseções da palavra com outras linguagens

Evento busca integrar a palavra a outras formas de arte | © Julia Brendas
Evento busca integrar a palavra a outras formas de arte | © Julia Brendas

O projeto BITITA Festa da Palavra realiza sua segunda edição entre os dias 19 e 21 de março, em Belo Horizonte (MG), ampliando sua proposta e promovendo uma mostra de cinema, exposição, mesas de debate, oficina, lançamento de livros e projeções de poesia visual, tudo isso no Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1537, Centro) e com entrada gratuita.

Inspirado na obra de Carolina Maria de Jesus, o nome BITITA (apelido de infância da autora e título de um de seus diários) nasce como um gesto de reconhecimento e homenagem a uma mulher que escreveu a partir da margem e transformou sua própria vida em literatura.

Segundo a realizadora Luciana Salles, a edição de 2026 marca um esforço de avançar conceitualmente o projeto. “Propomos pensar a palavra em diálogo com a luz, com o cinema e com as artes visuais, ampliando as formas de leitura, fruição e reconhecimento da palavra como elemento disparador de muitas realidades”, diz. Na primeira edição, o foco estava na formação de novos leitores, especialmente do público infantojuvenil.

“Agora o projeto avançou para a ideia da palavra expandida em diferentes formas de expressão. A homenagem à Carolina segue absolutamente atual porque fala de uma mulher cuja palavra é matéria viva. Hoje, sua vida e obra se multiplicam em diferentes formas de expressão, reaparecendo no cinema, no teatro, nas artes visuais, na música, nas ruas e nos encontros coletivos. Nessa pluralidade, Carolina tornou-se figura polifônica e multifacetada.”

Para Renato Negrão, curador-geral do projeto, a proposta desta edição é criar uma experiência imersiva: “BITITA propõe uma experiência em que a palavra se torna luz, imagem e movimento. A programação reflete um fazer artístico híbrido, antropofágico, que atravessa linguagens e tensiona narrativas hegemônicas. É um convite à escuta, ao olhar e à construção de sentidos a partir da pluralidade”.

Exposição em destaque

Um dos grandes destaques desta edição é a exposição “A primeira vez que voei foi na pág. 35”, a primeira individual da artista Maré de Matos em Belo Horizonte, que já está em cartaz na Galeria Mari’stella Tristão, no Palácio das Artes. A inauguração ocorreu no dia 10 de março, e a mostra permanece aberta ao público até 26 de abril, ainda como parte da programação da BITITA.

Artista transdisciplinar, Maré de Matos articula artes visuais, literatura e audiovisual em uma pesquisa que atravessa memória, corpo, afetos e linguagem. Durante a BITITA, a artista também participa de sessões de cinema e de mesa de debate dedicada à leitura de sua obra.

Mostra de cinema

A mostra de cinema, um dos eixos centrais desta edição, tem curadoria da Pimenta Filmes, assinada por Alexandre Pimenta e Beatriz Goulart, e reúne clássicos do cinema brasileiro, produções contemporâneas, filmes experimentais, mini documentários e videopoemas que dialogam com literatura, artes visuais, memória, corpo, identidade e ancestralidade.

Para os curadores, o cinema ocupa um lugar estratégico na proposta do projeto. “O cinema está no centro desta edição da BITITA porque é um campo privilegiado de encontro entre palavra, imagem e política. A mostra articula obras de diferentes épocas e formatos para evidenciar como o audiovisual pode reescrever histórias, dar visibilidade a vozes silenciadas e ampliar as formas de narrar o mundo a partir de perspectivas plurais e insurgentes”, comenta Alexandre Pimenta, um dos curadores da mostra de cinema.

“A curadoria da mostra de cinema da BITITA parte do entendimento da palavra como um território vivo, que se desloca, se fragmenta e se reinscreve nas imagens. Reunimos filmes e trabalhos audiovisuais que pensam a palavra para além do texto escrito, como memória, corpo, gesto e invenção, propondo ao público uma experiência sensível e crítica sobre as narrativas que constroem o imaginário brasileiro”, relata Beatriz Goulart, também curadora da mostra de cinema da BITITA.

Confira a programação completa

19 de março | quinta-feira

  • 18h – Sala Juvenal Dias: Abertura oficial – Bitita: Festa da Palavra (Luz–Palavra–Imagem)
  • 19h – Galeria Mari’Stella Tristão: Visita guiada à exposição “A primeira vez que voei foi na página 35”, da artista Maré de Matos
  • 20h – Projeções | Jardim interno

20 de março | sexta-feira

  • Mostra de Cinema – Cine Humberto Mauro
  • 16h – Barravento (1962), de Glauber Rocha – Drama – 78 min
  • 18h – Série Artérias – Minidocs de Helena Bagnoli
    • Sessão 1
    • Castiel Vitorino Brasileiro (12’)
    • Antonio Obá (13’)
    • Uýra (13’)
    • Luana Vitra (13’)
    • Rafa Bqueer (14’)
  • 19h30 – Exibição de curtas da artista Maré de Matos: Estudos sobre justiça (14:43) e Outros nomes para a dignidade (22:41)
  • 20h – Mesa de debate 1: Museu das Emoções: Leituras decoloniais na obra de Maré de Matos – Com Maré de Matos | Mediação: Tatiana Carvalho Costa
  • 20h – Projeções | Jardim interno

21 de março | sábado

  • 10h30 – Mesa de debate | Sala Juvenal Dias: Luz-Palavra–Imagem: construtivo, intuitivo e orgânico – Com Angélica Freitas, Preto Matheus e Sylvia Amélia | Mediação: Renato Negrão
  • 12h – Lançamento de livros de autores convidados | Jardim interno
    • Livros:
    • Porca Gorda – Jéssica Balbino
    • Escrevam-me – Renato Negrão
    • Mostra Monstra – Angélica Freitas
  • 15h – Oficina | Midiateca João Etienne Filho: Oficina Traço e Verso: uma oficina de poesia e desenho – com Angélica Freitas
  • 15h – Mesa de debate | Sala Juvenal Dias: Arte como circulação viva da memória: Emoção, corpo e imagem contra a narrativa hegemônica – Com Wilson de Avelar e Paulo Nazareth | Mediação: Helena Bagnoli
  • 16h – Sessão de Cinema | Cine Humberto Mauro
    • Minidocs
    • Cosmococa, de Neville D’Almeida / Hélio Oiticica (8’)
    • Série Artérias
    • Paulo Nazareth (13’)
    • Jaider Esbell (13’)
    • Denilson Baniwa (13’)
    • Carmézia Emiliano (13’)
    • Rosana Paulino (13’)
  • 18h – Sessão de Cinema Contemporâneo | Cine Humberto Mauro
    • Vaga Carne, de Grace Passô e Ricardo Alves Jr. (45’)
    • Videopoemas de Ana Martins Marques: Três Ipês (1'40"), Visitas (2'54"), O que eu sei (56”)
    • Sobre o Amor, de Pedro Moraleida (9'31")
  • 19h30 – Mesa de debate | Sala Juvenal Dias: Voz, corpo e imagens insurgentes na escrita contemporânea – Com Jéssica Balbino e Brisa Marques | Mediação: Luciana Salles
  • 20h – Projeções | Jardim interno
  • 22 de março | domingo
    • 17h30 – Sessão de Cinema | Cine Humberto Mauro: Memórias Póstumas de Brás Cubas (2001), de André Klotzel
    • 19h – Sessão de Cinema | Cine Humberto Mauro
      • Série Artérias
      • Josi (12’)
      • Isael e Sueli Maxakali (13’)
      • Thiago Gualberto (13’)
      • Sonia Gomes (12’)
      • Nei Xakriabá (13’)
      • Gustavo Caboco (13”)
      • Maxwell Alexandre (13”)
    • 20h – Projeções | Jardim interno
    • Festa de encerramento: DJ Black Josie
[17/03/2026 08:20:10]