Finalista do Jabuti conecta Inquisição e ditadura militar em novo livro
PublishNews, Redação, 04/03/2026
'A dança da serpente', do escritor Paulo Stucchi, cria ficção contemporânea sobre a trajetória real de Luzia Pinta, mulher escravizada e condenada

Paulo Stucchi © Divulgação
Paulo Stucchi © Divulgação
O escritor e jornalista Paulo Stucchi, finalista do Prêmio Jabuti 2024 com O homem da Patagônia, se prepara para lançar A dança da serpente, um romance histórico. Ambos os livros foram lançados pela Editora Jangada. O evento de lançamento, acompanhado por um bate-papo com as booktokers Mônica Moreira e Caroline Andrade e de uma sessão de autógrafos, será em São Paulo (SP), no próximo dia 7 de março, sábado, às 15h, na Livraria da Vila (Avenida Paulista, 1063), antes de percorrer outras cidades.

O novo romance traz duas narrativas separadas por quase dois séculos, ambas marcadas pela perseguição a mulheres com dons espirituais e de cura. A trama se passa em Sabará (MG) e conecta o Brasil colonial do século XVIII ao país sob o regime autoritário da Ditadura Militar em meados dos anos de 1970.

Em uma das linhas temporais, o livro acompanha a história real de Luzia Pinta, mulher escravizada trazida de Angola, curandeira por meio dos rituais de calundu — um conjunto de cerimônias religiosas e de cura de origem centro-africana —, que conquistou a alforria em Sabará, mas foi deportada para Lisboa e condenada pela Inquisição Portuguesa. Na outra, ambientada em 1977, o foco recai sobre as irmãs gêmeas Cléo e Clarice, ligadas desde a infância por uma conexão espiritual incomum e estranhos dons.

Após uma tragédia, Cléo foge da cidade ainda jovem, tentando negar os dons herdados das mulheres de sua família. Onze anos depois, ela retorna a Sabará para reencontrar Clarice, que se tornara conhecida como a “Sacerdotisa de Sabará”, reunindo seguidores por Minas Gerais e despertando o temor das elites em plena Ditadura Militar. O reencontro força Cléo a confrontar seu passado traumático e buscar respostas para uma herança espiritual que atravessa gerações.

Paulo Stucchi é jornalista e psicanalista. Formado em Comunicação Social pela Unesp Bauru, é especialista em Jornalismo Institucional pela PUC-SP e Mestre em Processos Comunicacionais, com ênfase em Comunicação Empresarial, pela Universidade Metodista de São Paulo. Trabalhou como jornalista em revistas e jornais impressos, tornando-se editor, por treze anos, de uma publicação segmentada para o setor gráfico. Divide seu tempo entre o trabalho de assessor de comunicação e sua paixão pela literatura, principalmente romances históricos. É autor de diversas obras, e pela Editora Jangada publicou também A filha do Reich (2019), finalista do Prêmio Jabuti 2020.

[04/03/2026 11:45:16]