
Com o mote Back to basics. Back to books ("De volta ao básico. De volta aos livros", em livre tradução), a edição de 2026 quer propor uma reflexão sobre o papel do livro como ferramenta de cidadania e resistência em um cenário marcado pela fragmentação da atenção. O programa será organizado a partir de três eixos principais: a articulação entre cultura, educação e economia para o fortalecimento do letramento; os desafios éticos e estruturais envolvendo direitos de autor e Inteligência Artificial; e a defesa da democracia e da liberdade de expressão, com o livro como instrumento central no combate à desinformação.
O anúncio ocorre na sequência da divulgação do relatório final da edição de 2025, documento que reúne recomendações para o fortalecimento de políticas públicas integradas de promoção da leitura e do letramento em múltiplas dimensões — da digital à emocional, passando pela financeira e familiar. O evento reafirma, assim, a sua missão como fórum europeu de referência para o debate estratégico sobre livro, leitura, conhecimento e educação. Interessou? Leia o relatório aqui!
Realizada em setembro de 2025, na Fundação Champalimaud, a terceira edição teve como tema A reinvenção das espécies e contou com a presença do presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, além de representantes da Comissão Europeia, da OCDE e de entidades internacionais do setor editorial, como a International Publishers Association (Ipa).
“O Book 2.0 não é apenas um evento sobre livros. É a afirmação de um compromisso coletivo com o futuro, que ambicionamos transformar num desígnio nacional. É a prova de que, quando nos juntamos, conseguimos colocar a leitura e a literacia no centro da agenda para o desenvolvimento”, afirmou Miguel Pauseiro, presidente da Apel, em comunicado. “O papel da escola, das famílias e da sociedade em geral é crucial para que o livro seja visto como uma ferramenta essencial de cidadania e de desenvolvimento do potencial humano e para que a leitura se transforme num hábito sustentável ao longo da vida.”
Entre as recomendações destacadas no relatório final está o apelo à regulação do uso precoce de tecnologias digitais por crianças e jovens, com base em evidências científicas que apontam para a necessidade de restringir o acesso a smartphones, tablets e redes sociais em idade precoce, bem como de reforçar práticas de leitura e atividades criativas, físicas e sociais. O documento também enfatiza a importância de capacitar pais e professores para a identificação precoce de sinais de dependência digital.
A edição de 2025 apresentou ainda a nova edição do estudo Hábitos de Compra e Leitura em Portugal, desenvolvido pela GfK para a APEL, segundo o qual 76% dos portugueses afirmam ter hábitos de leitura, embora apenas 58% tenham comprado livros em 2024. Apesar de o mercado livreiro ter alcançado 202 milhões de euros no período, com crescimento de 8%, Portugal mantém um dos índices per capita de compra de livros mais baixos da Europa.
Ao longo de dois dias, o Book 2.0 recebeu especialistas como Maryanne Wolf (UCLA), Axel Voss (Parlamento Europeu), Lúcia Dellagnelo (OCDE), Daniel Benchimol (Proyecto451), e os escritores Meg Jay e José Eduardo Agualusa, entre outros, consolidando-se como um espaço de diálogo científico, político e cultural em torno do futuro do livro e da leitura.






