
"Foi em Petrópolis que escrevi o meu romance mais ambicioso até agora, 'Querida cidade', publicado pela Editora Record, em 2021. Agora, o fecho de ouro: autor homenageado da sua festa literária, um imperialíssimo coroamento dos meus 18 anos de vida serrana, e 53 de literatura. E isso sob a batuta de Afonso Borges, o maestro da Flipetrópolis, de seu curador, Sérgio Abranches. Assim vocês vão me deixar nas núvens, gente boa!", disse o imortal ao PublishNews.
"Não é pouco o que devo a Petrópolis, a Cidade Imperial, da qual eu, um baiano, recebi o título de Cidadão Honorário, concedido pela sua Câmara Municipal, dois prêmios da Academia Petropolitana de Letras - à qual passei a ter a honra de pertencer, e outro, o Prêmio Guerra Peixe, conferido pela Prefeitura local por 'notório reconhecimento'", pontua o escritor ao PN.
Nascido em 1940 no povoado de Junco, hoje Sátiro Dias (BA), Antônio Torres construiu uma obra atravessada pela força da linguagem, pela memória afetiva e pela reflexão sobre as migrações e deslocamentos do povo brasileiro entre o sertão e a cidade. Sua literatura é um retrato sensível das transformações sociais do país e dos dilemas do homem comum diante do tempo, da distância e da perda.
Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Petropolitana de Letras, Torres vive em Itaipava, distrito de Petrópolis, cidade com a qual mantém uma ligação afetiva e cotidiana. Sua escolha como Autor Homenageado reforça o caráter plural e acolhedor do Flipetrópolis, que em 2025 tem como tema Literatura, encruzilhada e arte.
Autor de linguagem precisa e de forte pulsação poética, Antônio Torres começou a escrever ainda jovem, inspirado pelas histórias orais do sertão baiano e pelos deslocamentos que marcam a vida de tantas famílias nordestinas. Antes de se tornar escritor em tempo integral, foi jornalista, redator publicitário e assessor de imprensa, experiências que refinaram sua escuta e o olhar sobre a condição humana.
A sua estreia na literatura ocorreu em 1972, com o romance Um cão uivando para a lua, mas foi com Essa terra (1976) que conquistou o público e a crítica. O livro inaugurou uma trilogia que se completa com O cachorro e o lobo (1997) e Pelo fundo da agulha (2006), considerada um dos retratos mais vigorosos da migração nordestina e do sentimento de pertencimento e desenraizamento que ela provoca.
Em mais de cinco décadas de carreira, Torres publicou romances, contos e crônicas traduzidos em francês, inglês, espanhol, italiano, alemão e árabe, levando o sertão e suas metáforas existenciais a leitores de vários países. Sua obra é estudada em universidades dentro e fora do Brasil e já rendeu adaptações teatrais e projetos de leitura comunitária.
Reconhecido por pares como um dos grandes intérpretes do Brasil profundo, ele recebeu distinções como o Prêmio Machado de Assis (ABL, 2000), o Prêmio Jabuti (2001, categoria romance), o Prêmio Zaffari & Bourbon (2007) e o Prêmio da Academia Brasileira de Letras (2019).
O Festival Literário Internacional de Petrópolis – Flipetrópolis é realizado pela Associação Cultural Sempre um Papo, com patrocínio máster da GE Aerospace, via Lei Rouanet do Ministério da Cultura, e conta com o apoio da Prefeitura de Petrópolis, da Academia Petropolitana de Letras e do Ipeafro.






